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Crítica BD – Murena: Capítulo décimo primeiro – LEMÚRIA

Com este décimo primeiro volume de “Murena”, a Asa alcança as edições originais ficando a par com o que já saiu até agora.

O habitat natural desta série é a Roma Antiga, entre imperadores, gladiadores e as atrações perversas que se pavoneiam pelas mentes, o objetivo permanece o mesmo, sobreviver, uns com pouco, outros com muito, mas todos procurando o poder. Cruel, cruel world.

As personagens continuam carismáticas, com desejos e expressões individuais realistas. Imergimos não só pelos rostos, como também pela riqueza dos cenários e as suas cores, esta BD tem uma estética organizada que contrasta com a trama perversa.

O imperador Nero mantém as suas dúvidas relativamente ao desaparecimento do seu amigo, Lúcio Murena. O leitor assiste a estas conspirações, vê continuamente Lemúria a drogar Lúcio, tornando-o uma marioneta para os seus prazeres próprios. Poderá o aparecimento de Petrónio ser a chave para recolocar esperanças e regressar com a normalidade?

De facto, ao longo da narrativa, temos alusões e citações a eventos anteriores da história da mesma, porém considero de fácil acesso a públicos que se estreiem neste volume, claro que certas pretensões e códigos de conduta das figuras serão mais difíceis de decifrar. Still, nada temam, “Murena” incita-nos a puxar pela imaginação e a colorir esse background.

As ilustrações são belíssimas e de engenho raro, as dinâmicas entrelaçam-se, Theo é capaz de igualar o autor original, Philippe Delaby, existindo uma sequência de formas e, acima de tudo, da energia da obra perante o olhar. Leiam e vejam aqui um excerto.

Deste modo, dado que a Asa continua a publicar esta série, acho que seria uma oportunidade única para que a editora portuguesa a reeditasse, efetivamente, por completo, sem misturas, do primeiro tomo à mais recente adição. O enredo continua propenso a muitas intrigas que captam o nosso interesse, sendo uma criação inesgotável, merecia esse cuidado.

Este capítulo décimo primeiro de “Murena” circula na teia das obsessões, das impulsividades trágicas, das vontades e identidades oprimidas. Simultaneamente, retifica, alinha o sofredor com o vencedor.

É uma brilhante bomba-relógio.

Autor: Jean Dufaux
Ilustração: Theo Caneschi
Género: Banda Desenhada, História, Drama
Editora: Asa
Argumento: 8
Arte: 9
Legendagem: 8
Veredito final: 8

Jean Dufaux, frequentou o Instituto de Artes de Difusão de Paris. Iniciou a sua carreira profissional como jornalista da Cine-presse, revista destinada aos profissionais de cinema. Antes de se consagrar definitivamente à BD escreveu novelas e peças de teatro para crianças. Os seus primeiros trabalhos de BD foram publicados na revista Tintin e em 1983 escreve, em parceria com Vernal, a série Brelan de Dames, desenhada por Renaud. Em 1985 escreve as aventuras de Melly Brown, desenhadas por Musquera, e em 1986 começa a colaborar com a Dargaud.

Considerado como um dos argumentistas mais originais dos anos 80 e 90, as suas obras, baseadas muitas vezes na literatura e no cinema, sucedem-se a um ritmo eletrizante e em todos os géneros, desde o policial ao histórico, do fantástico ao western.

Theo Caneschi nasceu em 1973, em Florença, Itália. Em 1994, já com os estudos liceais concluídos, matricula-se na Scuola Internazionale di Comics. Quatro anos depois ingressa no estúdio Inklink, um conceituado ateliê de Florença, onde tem oportunidade de realizar numerosas ilustrações e reconstituições históricas para diversos museus. Depois, o destino bate-lhe à porta: é contactado pelas Éditions Delcourt, que estão à procura de um desenhador para Le Trône d’argile. Assina então, em 2006, o primeiro volume da história, com argumento de Nicolas Jarry e France Richemond. Pouco depois recebe uma nova proposta, que lhe permite trabalhar com Alejandro Jodorowsky: é assim que, em 2009, sai o 1º volume de Le Pape terrible.

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