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Crítica BD: Mattéo – Quarta Época (Agosto-Setembro de 1936)

A série Mattéo continua, assinada por Jean Pierre Gibrat, com a edição pela Ala dos Livros, este quarto álbum corresponde ao período de Agosto-Setembro de 1936.

O nosso protagonista continua o seu singular destino, atravessando as primeiras décadas do século XX, desde a Primeira Grande Guerra até à Segunda, passando pela Revolução Russa e ainda pela Guerra Civil Espanhola.

Nesta nova entrada na história, continuamos a acompanhar o transporte das armas que os companheiros de Mattéo se apoderaram. A chegada a Barcelona tem como sinónimos, esperanças e tumultos, tantos são os momentos de folia como os de inquietação. Tanto na Guerra como no Amor.

As ideologias permanecem confusas, assim como as decisões, que nunca parecem certas. Entre o Socialismo, o Anarquismo e o Comunismo o bando divide-se, a gente separa-se e os conflitos instalam-se. Exemplo disto é a amizade de Mattéo com Robert, que aparenta sucumbir a favor das odes políticas.

As figuras e cenários que o autor projeta, revelam, assim, atmosferas cativantes, capazes de desdobrar os estados de espírito do enredo informal e formal. As cores são esplêndidas, eloquentes como o argumento. Os tons pastel predominam, destaca-se o realismo do traço, preocupado com as posturas e a cadência das figuras, numa realidade que se revela fria face a sonhos calorosos.

Esta obra mantém a linha, enquanto, simultaneamente, desafia cordéis históricos, textuais e identitários. Nesta quarta época de Mattéo, o leitor vê rebeldes desenvergonhados, comenta discursos exaltados e, não se cansa, de repetir, nas boas palavras do protagonista com que envelheceu por entre datas: “sobretudo a revolução”.

Sobre tudo a revolução!

Jean-Pierre Gibrat nasceu em Paris em abril de 1954. No seu currículo constam publicações como o “Le Nouvel Observateur”, “L´Événement”, “Science et Avenir” e as revistas infantis “Je Bouquine” e “Okapi”. A partir dos anos 90, a obra de Gibrat regista uma tendência mais adulta, incluindo-se nesta fase as obras “Pinocchia” (1995, com argumento de Francis Leroi) e “Maré Baixa” (1996, com argumento de Daniel Pecqueur).

Autor: Jean-Pierre Gibrat
Ilustração: Jean-Pierre Gibrat
Género: Banda Desenhada, Romance Histórico
Editora: Ala dos Livros

Argumento: 8
Arte: 10
Legendagem: 7
Veredito final: 9

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