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Crítica BD – “Lena” – Edição Integral

Lena”, nasceu em 2006, sob a chancela da Dargaud, Pierre Christin e André Juillard criaram esta personagem que, ao longo de três álbuns, vive as suas aventuras nos meios da alta diplomacia e da espionagem internacional. Trata-se de uma série de ficção política, misturada com os eventos sociais do século XX e XXI.

Nesta edição integral, reúnem-se, exatamente, todos os três títulos da série, são eles: “A Longa Viagem de Lena” / “Lena e as Três Mulheres” / “Lena em Pleno Braseiro”. Resultando assim, numa publicação da Arte de Autor, que não dececiona relativamente ao conteúdo e à apresentação do mesmo.

Nesta obra, a nossa protagonista é uma jovem elegante, misteriosa, não sabemos bem de onde vem e realmente para onde vai… O leitor funciona como uma espécie de confessionário para Lena, uma vez que achamos nos balões de diálogos tiras em estilo de diário, direcionadas exclusivamente a quem vira a página. Acompanhamos esta sua viagem a partir de Berlim-Leste, seguimos e apagamos provas por Budapeste, Kiev, Odessa, Turquia e Síria… Entre os agentes que Lena encontra pelo caminho vemos reflexos de um passado e de um presente histórico desentendidos, que se refletem, aliás, na ameaça permanente do terrorismo internacional – A nostalgia e a melancolia geram depressões no tempo.

Em cada capítulo da vida de Lena, seja mais tarde quando toma refúgio na Austrália, seja quando se vê numa região inóspita no Norte de África, entendemos o mundo torturado, de classes em que vivemos. Para quê tantas castas para gente tão semelhante?

Deste modo, o leitor vai, passo a passo, tentando decifrar ilustrações, argumentos e dúvidas íntimas – “Lena” é uma crise inflamada por propósitos secretos, terrivelmente silenciosos.

É difícil escrever um livro que lida com atentados mundiais, corporais e espirituais, no entanto Pierre Christin, conjuga bem as narrações de Lena com os seus encontros oficiais. Apesar de um enredo lento e de conversas demasiado prolongadas e explicativas, posso dizer que me agradou a diversidade entre ação de pensamento e ação direta, ou seja, conseguimos visualizar a componente cerebral de Lena entre o dizer e o fazer, entre a ponderação e a formulação. É caso para citar Descartes, “Cogito ergo sum/Penso logo existo”!

Quanto às ilustrações de André Juillard, ainda que falte expressões mais vivas ao enredo e uma maior dinâmica aos planos, o aspeto vintage é agradável, assim como a naturalidade de algumas cores nos cenários, proporcionando os aromas dos locais que Lena visita, torna a BD mais real, quase a par e par com a vida corrente das zonas relatadas.

De facto, tanto as palavras como os grafismos são maduros e eficazes relativamente à intriga e à linha pessoal que a série segue. “Lena”, apesar dos seus múltiplos disfarces, não passa despercebida, as suas viagens são mais do que entretenimento, nas suas pegadas encontramos os segredos de uma BD que fala verdade a mentir.

Autor: Pierre Christin
Ilustração: André Juillard
Género: Banda Desenhada, Romance
Editora: Arte de Autor

Argumento: 8
Arte: 7
Legendagem: 8
Veredito final: 8

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