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Crítica BD – Fahrenheit 451 – O Romance Gráfico

Em 2009, a editora norte-americana Hill & Wang publicou a adaptação da obra “Fahrenheit 451” à banda desenhada com a aprovação do próprio autor, Ray Bradbury (1920-2012), que escreveu até o prefácio desta. Agora chega às bancas nacionais, ilustrada por Tim Hamilton, numa edição da Relógio D’Água.

Esta obra é um clássico nas bibliotecas de muitos, foi escrita em 1953 e é considerada uma das maiores obras-primas distópicas, o seu título refere-se à temperatura da combustão do papel, ou seja, a temperatura a que os livros ardem. Numa sociedade futura, na qual ter opinião é crime, todos os livros são proibidos, sendo a função dos bombeiros destruí-los em nome da paz e da harmonia na comunidade.

A história, para alguns, um reencontro, para outros, uma novidade, apresenta-nos Guy Montag, um bombeiro, precisamente encarregado de queimar livros, assim como as casas que os alojam.

É um retrato fiel à sociedade de consumo, à ilusão da informação, existe um sentido de veracidade na forma pessimista como Ray Bradbury olha para a vida descrita no livro. São fantasmas que continuamente nos assolam, negar a sua presença só arrasta maldições, por isso esta é uma criação eterna, que reivindica mais e mais à medida que vai alcançando novos leitores.

Está claro, que as ilustrações de Tim Hamilton dão uma energia renovada a esta adaptação, o artista tem colaborado com a New York Times Book Review, a Cicada, a King Features, a Boom! Studios, a Mad, a DC Comics, a Dark Horse Comics, a Toybiz e a Nickelodeon Magazine. É também membro fundador do coletivo de banda desenhada online activatecomix.com, onde serializou as suas histórias Pet Sitter e Adventures of the Floating Elephant. Adaptou recentemente A Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson a romance gráfico.

Os seus desenhos, em “Fahrenheit 451” têm um aspeto vintage como se dessem a ideia de terem sido feitas exatamente nos anos 50, data em que a obra original foi divulgada. A paleta de cores e a estética utilizada chama à cena, sensações claustrofóbicas, produzindo um ritmo de traços perigosos e sufocantes.

Desta forma, o relato textual e a imagem misturam-se, numa reflexão pertinente sobre o totalitarismo e a liberdade de pensamento, impactando e movendo ondas emocionais surpreendentes.

Quanto à edição, encontramos um papel brilhante, com uma boa gramagem. Contudo, a capa do livro podia ser mais cativante e fazer mais jus aos percursos pitorescos da trama. A legendagem é pobre e a fonte escolhida fraca.

Curar uma nação, tal como um coração, não é tarefa fácil, e é nesse sentido que é sublime achar, continuamente, uma massa de gente que nos dá a provar o impossível. De repente, o cardápio estende-se e ninguém tem medo de escolher.

Ray Douglas Bradbury nasceu a 1920, em Waukegan, no Ilinóis, nos EUA, tendo falecido em 2012, em Los Angeles. Bradbury começou a escrever muito novo, aos dezassete anos, publicou a sua primeira narrativa de ficção científica na revista “Imagination!”. Em Novembro de 1941, publicou Pêndulo, o primeiro trabalho que lhe foi pago. Em 1942, era já escritor a tempo inteiro, tendo o seu primeiro livro, Dark Carnival, uma antologia de contos, sido publicado em 1947. Ray Bradbury tornou-se particularmente conhecido por Crónicas Marcianas, escrito em 1950. Além de ficção científica, frequentou ainda outros géneros, escrevendo vários argumentos televisivos e cinematográficos. O The New York Times considerou que Bradbury foi “o escritor que mais contribuiu para levar a moderna ficção científica ao mainstream literário”.

Autor: Ray Bradbury
Ilustração: Tim Hamilton
Género: Banda Desenhada, Ficção-Científica, Distopia
Editora: Relógio D´Água

Argumento: 10
Arte: 9
Legendagem: 5
Veredito final: 9

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