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Crítica BD – Dylan Dog: O Número Duzentos

Criado por Tiziano SclaviDylan Dog, o Detetive Pesadelo, traz-nos mais uma aventura aterradora, melancólica e especialmente íntima.

Neste volume, acompanhamos o princípio da carreira de Dylan Dog, as suas fraquezas, mágoas e dúvidas enquanto enfrenta o seu primeiro grande desafio paranormal. Como conheceu Groucho, como deixou a polícia e se mudou para a mítica casa em Craven Road… Averigua-se um passado inevitavelmente ligado às decisões futuras.

O título, O Número Duzentos, remete para o número da edição original italiana em que foi publicada, mas também ao número do prédio onde o Comissário Bloch vive – cenário dos momentos mais decisivos da história.

Entre vícios e lágrimas, Dylan é desenhado como uma pessoa real, frágil, fugindo a moldes clássicos, questão decisiva no que toca à aproximação do leitor com o protagonista. Assim, para além de atar várias pontas soltas da série, esta obra chega-nos também como uma prequela e, simultaneamente, uma homenagem ao enredo físico e moral que a sustenta.

A responsável por esta profundidade é Paola Barbato, a mesma consegue encadear de forma coerente toda esta informação, mantendo a dinâmica narrativa e a veracidade emocional. Suscitando curiosidades e monstrinhos imersivos.

Relativamente à imagem, Bruno Brindisi corresponde à exigência gráfica, com um bom uso de contrastes do preto e branco e um traço ágil e ativo nas expressões.

Recordar pode ser viver, as memórias podem, de facto, constituir parte do nosso corpo, porém se não aprendermos a subsistir para lá das mesmas, vivemos com raras certezas. Este “Número 200”, podia ter sido uma obra irreal, fechada em si própria, mas não foi, projetou segredos, permitiu-se partilhá-los por isso, motivou leituras, desencadeou novas fronteiras para os quadros deste conto.

Arriscou e singrou.

Paola Barbato nasceu em 1971, e desde que se recorda sempre escreveu. Em 1996, convenceram-na a apresentar os seus trabalhos em várias editoras, incluindo na Sergio Bonelli Editore, na redacção de Dylan Dog, série de quem era fã. A sua entrada na série mensal ocorreu em 1999 com Il Sonno della ragione (#157), e daí para cá, tornou-se numa das principais autoras da série e numa autora fundamental no desenvolvimento do universo dylaniano. Foi galardoada com o Prémio Scerbanenco (que premeia romances policiais).

Bruno Brindisi nasceu em 1964. A sua carreira profissional começa em 1986, desenhando histórias eróticas para a Blue Press e a Ediperiodici. Em 1990, com apenas vinte cinco anos, entra na Bonelli, desenhando alguns episódios de Nick Raider, até entrar na equipa de Dylan Dog, série onde se  estreia com a aventura Il Male, escrita por Tiziano Sclavi. Em 2015, foi galardoado com o prémio Romics d’Oro, apenas um de inúmeros prémios e reconhecimentos que recebeu pelo seu trabalho.

Autora: Paola Barbato
Ilustração: Bruno Brindisi
Género: Banda Desenhada, Paranormal, Policial
Editora: A Seita
Argumento: 9
Arte: 8
Legendagem: 9
Veredito final: 9

DYLAN DOG:  O Número Duzentos
Argumento de PAOLA BARBATO e arte de BRUNO BRINDISI

A Seita
104 páginas, preto e branco, capa dura, formato 16 x 23.
ISBN: 978-989-53150-9-3
PVP: 13,00€

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