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Crítica BD – Armazém Central – Serge | Os Homens

Esta história realista do quotidiano rural do Quebeque, passada nos primeiros anos do século passado, continua neste volume 2 e 3 intitulados de “Serge” e “Os Homens”.

No fim do inverno, os madeireiros da aldeia regressam finalmente a Notre-Dame-des-Lacs e descobrem que Serge, um anónimo para eles, é muito apreciado pelos habitantes locais. Nem todos tomam a notícia de bom grado.

O novo equilíbrio estabelecido na pequena povoação será posto à prova. É tempo, então, de mulheres e homens assumirem posições, e opiniões.

Serge representa a novidade, a diferença. Um elemento que mexe a comunidade, desperta dúvidas e sentimentos que até aí nem sequer se sabia que existiam – ciúmes, dúvidas, temores e, o mais perigoso, evoluções…

Está claro que, os recém-chegados homens, cheios de poeira e conclusões, receosos do desconhecido, incomodados pelas mudanças que descobrem na aldeia, desconfiados do que é novidade, vão tomar, portanto, uma atitude de força. Só que, ao contrário do esperado, as mulheres fazem-lhes frente, recusam obedecer; O patriarcado já não germina naquela terra, regam-se ideias próprias e individuais de ambos os sexos. Vive-se em comum, com direitos e deveres equitativos.

Esta BD avança, num tom profundamente humano, reforçado pelo cuidado – o tempo empregue na descrição de cada episódio – de cada silêncio, elementos preponderantes para o encontro de uma harmonia.

Marie permanece a tentar conjugar o passado com os desejos futuros sem cair em saudosismos. Gaetan mantém-se atento e afetuoso, ainda que o mundo o chame de idiota. Serge procura ficar sem incomodar, mas aparentemente as boas intenções são as que dão mais trabalho.

A trama desta série é notável, não me canso de repetir, é fundamental lê-la. Seja pelo excelente argumento, seja pelos desenhos caricaturais, desbotados, de cores frias a par e par com os estados e ambientes do enredo.

Armazém central, é uma obra feita de rostos, de ideias, de vidas paralelas que encaixam sem querer. É um texto sóbrio, humano, realista, sem qualquer maquilhagem. É saudável ao olhar.

Jean-Louis Tripp, ilustrador, argumentista e colorista publicou as suas primeiras pranchas na Métal Hurlant em 1977. Após três títulos na Futuropolis com Marc Barcelo, lança na MIilan a série Jacques Gallard. A partir de 1990, inicia um período de criação devoto ao design, escultura, pintura, reportagens de desenho e literatura juvenil. Em 2003, desenha Paroles d’anges, começando em 2006, com Régis Loisel, o longo romance gráfico Magasin Général. Desde 2015, reparte o seu tempo entre Paris e Montreal.

Régis Loisel, argumentista, ilustrador e colorista, é a partir do início da década de 80 que a sua carreira descola com a série La Quête de l’oiseau du temps (Dargaud), com argumento de Serge Le Tendre. Colaborou em várias longas-metragens de animação e foi reconhecido em 2003 pelo Grande Prémio da Cidade de Angoulême. Em 2006, lança Magasin Général (Casterman) com Jean-Louis Tripp. Reside em Montreal.

Autores: Régis Loisel, Jean-Louis Tripp
Ilustração: Régis Loisel, Jean-Louis Tripp
Género: Banda Desenhada, Romance
Editora: Arte de Autor
Argumento: 10
Arte: 10
Legendagem: 8
Veredito final: 10

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