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Crítica BD – Apocalipse: A Revelação de São João

Esta adaptação do Livro do Apocalipse escrito, pensamos, pelo apóstolo São João, o evangelista, é uma obra da nona arte que se revela fatal e, por isso, poética.

Após “Drácula” de Georges Bess, A Seita prossegue esta coleção com a obra “Apocalipse: A Revelação de São João”, da autoria de Alfredo Castelli e Corrado Roi. A obra foi originalmente editada em Itália pela Sergio Bonelli Editore, a 14 de novembro de 2019. Para além da banda desenhada, o livro inclui um prefácio que dá pistas para a leitura e interpretação da obra bíblica, bem como um dossier final que analisa e documenta o Apocalipse do ponto de vista iconográfico. Entretanto, a editora também já anunciou que os próximos álbuns desta série serão “Macbeth – Rei da Escócia”, de Thomas Day e Guillaume Sorel e “Frankenstein”, de Georges Bess.

Este é, sem dúvida, o mais visionário livro do Novo Testamento. Os dois mestres dos fumetti italianos, responsáveis pela adaptação, não comprometem, apresentam um trabalho gráfico e narrativo muito apurado, de cariz mórbido e sombrio, em conformidade com a aura das profecias relatadas. Para um cosplay completo, sugiro uma leitura acompanhada a Slipknot.

O argumento desta BD, conta-nos, de uma forma caótica e catastrófica, o fim dos nossos dias, Deus está irado e o caos reina. A narração não obedece a qualquer ordem ou fio textual, esta anarquia de conceitos resulta numa leitura complexa, somos obrigados a estudar verdadeiramente o livro, rodando entre páginas para achar significados. É um canto com ritmos desconexos que desafiam as leis mentais e terrenas.

De facto, esta característica, para mim, dá sentido e segue o estilo do livro, porém entendo que isto possa ser motivo de desgaste para muitos dos interessados e que retire algum lazer da leitura.

As imagens são soberbas, Roi interpreta perfeitamente cada personagem, cada momento da escritura original, é uma autêntica obra de arte. As sombras, os símbolos ficam encriptados na nossa imaginação, é um mapa negro, perigoso, por isso extremamente atraente ao olhar.

Esta edição tem uma capa dura, bom papel e uma boa qualidade de encadernação e impressão. Nota ainda para as duas capas diferentes – a mais “normal” e a exclusiva da loja Wook, coisa que pode aliciar os colecionadores.Apocalipse: A Revelação de São João

Crentes, agnósticos, ateus… Esta BD escolhe apenas o gosto de criar para criar, é fiel à obra escolhida e é ainda mais atenta ao gosto que essa exploração provoca. Um papiro luminoso que só enaltece e apetece destacar na prateleira.

Nascido em 1947, Alfredo Castelli é um prolífico escritor, investigador, argumentista e especialista em banda desenhada. A sua estreia no género dá-se aos 19 anos, com a criação de Scheletrino, uma tira humorística publicada como suplemento da revista Diabolik. No ano seguinte, escreve e edita aquele que foi o primeiro fanzine italiano sobre BD, Comics Club 104. É a criação em 1982 de Martin Mystère, o detetive do impossível, que o tornou num dos mais importantes argumentistas italianos em atividade.

Um dos mais populares, talentosos e ativos desenhadores italianos de fumetti, Corrado Roi encontrou nas aventuras de Dylan Dog o palco de eleição para o seu estilo sombrio e estilizado. Roi ilustrou também um volume anual de Tex, e diversas histórias de Nathan Never, Julia, Mágico Vento e Dampyr, para além da mini-série UT, o seu projecto mais pessoal, escrito a meias com Paola Barbato, argumentista com quem já colaborou por diversas vezes na série Dylan Dog.

Autor: Alfredo Castelli
Ilustração: Corrado Roi
Género: Banda Desenhada, História,Terror
Editora: A Seita
Argumento: 8
Arte: 10
Legendagem: 8
Veredito final: 9

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