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Crítica BD – “Alix Senator – Vol.1 – As Águias de Sangue”

É sempre genial ver um clássico regressar, envelhecer e adaptar-se… é isso que acontece em “Alix Senator – Vol.1 – As Águias de Sangue”. Uma série criada em 1948 por Jacques Martin para a revista Tintin. Foi nesses primórdios que conhecemos o jovem gaulês e as suas inúmeras aventuras.

Infelizmente, o seu criador faleceu em 2010, e não pode ver o retorno desta obra, em 2012, pela editora belga Casterman. Um derivado pensado pelas palavras de Valérie Mangin, e pelas linhas de Thierry Démarez.

Graças a esta edição portuguesa da Gradiva, temos acesso a um Alix mais maduro, agora com 50 anos, um senador prestigiado de Roma, com o seu filho Tito e o seu filho adotivo Khephren, um protegido de Alix desde o desaparecimento do seu amigo de longa data, Enak,

Vive-se o ano 12 a.C… Conhecemos o imperador César Augusto, cujo papel é preponderante nas investigações de Alix, quer na facilitação de informações, quer por ser César um alvo contínuo dos descontentes com os caminhos do poder.

É natural acharmos um novo olhar sobre esta série, Mangin oferece-nos um argumento com mais ritmo, de influências contemporâneas. Por outro lado, Démarez revela um traço mais realista, afastando-se dos desenhos de Jacques Martin. De facto, existe uma rutura, contudo, em simultâneo o leitor sente uma continuidade mágica, uma estética suave que permanece. Claro que existe uma reescrita, os clássicos merecem esse louvor, caso contrários as artes desapareceriam com a Grécia Antiga.

Encontramos um forte rigor histórico no livro, tradicional e novo a Alix. Igual aliança se estabelece nos desenhos e cores de Démarez, o uso de planos quase cinematográficos impulsiona o enredo da trama, seja pela arquitetura dos espaços, seja pelos figurinos e adereços, seja pelas expressões e costumes – espontaneamente humanos de cada personagem.

Quanto ao teor e futuras descobertas desta série, tenho a acrescentar que a paz é política, e quando não favorece os homens, os mesmos tonam-se erráticos e estranhamente divinos, como se o destino lhes guardasse um propósito glorioso, como se o destino fosse manipulável.

O coração do império tem de ser salvaguardado a todo o custo em “Alix Senator – Vol.1 – A Vingança das Águias”, resta saber quais os limites.

Valerie Mangin, é latinista e historiadora. Combinando Antiguidade e Ficção Científica, escreve as séries O Flagelo dos Deuses”, em 2003. Em 2012, lançou “Alix Senator”.

Thierry Démarez, um apaixonado pelo desenho e pela pintura, aprofundou a sua formação artística e tornou-se cenógrafo da companhia de teatro da Comédie Française. Desenhou o seu primeiro álbum em 2002. Em 2012, inicia a série Alix Senator”.

Autora: Valerie Mangin
Ilustração: Thierry Démarez
Género: Banda Desenhada, História
Editora: Gradiva

Argumento: 8
Arte: 8
Legendagem: 7
Veredito final: 8

 

 

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