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Crítica BD – Alix Senator 2: O Último Faraó

Chega-nos, pela editora Gradiva, a segunda aventura de Alix na Roma do ano 12 a.C.: Alix Senator 2: O Último Faraó é uma nova proposta nesta nova velha série.

Desta vez, o senador de origem gaulesa terá de resolver mais um mistério, arriscando mais uma vez a sua vida e a dos seus filhos, em nome do imperador, em nome do futuro, em nome da paz.

Utopia? Não. Esta obra habituou-nos, desde a sua criação com Jacques Martin até esta continuação, a ideais nobres, corajosos e destímidos perante a adversidade e a resignação.

Neste volume dois, após o atentado à vida do imperador por estranhos domadores de águias com propósitos duvidosos, Alix terá de viajar até à boca do lobo, ao Egito, local onde alegadamente um César ressuscitado prepara um atentado ao poder.

Assim, o leitor muda também drasticamente de cenários, atravessa os majestosos palácios de Alexandria até às igualmente belas e misteriosas pirâmides.

Trinta anos passaram desde a última vez que Alix esteve no deserto, memórias de guerras, memórias de aliados, memórias de promessas reaparecem. Ficará a sua honra intacta?

Encontramos um forte rigor histórico no livro, igual união se estabelece nos desenhos e cores de Démarez, o uso de planos quase cinematográficos impulsiona o enredo da trama, seja pela arquitetura dos espaços, seja pelos figurinos e adereços, seja pelas expressões e costumes – instintivamente humanos de cada personagem.

O uso das sombras para enaltecer o suspense próprio de um enredo que procura resolver várias investigações é também muito favorável ao painel estético de “Alix Senator”.

A civilização romana não é inocente, é culpada de muitas intrigas e manipulações. Estes jogos de poder são bem relatados na série, porém gostaria que, à medida que a série avança, os mesmos fossem mais escrutinados.

Por vezes, a história desta BD torna-se demasiado previsível, ofuscando as boas premissas que os autores trabalharam. Falta mais curiosidade à obra, mais sede pelo desconhecido, sinto que os criadores optam, para se salvaguardarem, por padrões narrativos repetitivos e pouco interessantes do ponto de vista da surpresa e da imersão.

Esta abordagem, ainda que simplista dramaturgicamente, consegue captar interesse e manter-se em movimento, enquanto apresenta alguns detalhes e reviravoltas durante as missões do grupo. Este trio de personagens centrais, Alix, Tito e Enak, é bem caracterizado, percecionamos as suas diferenças, homogeneidades e códigos.

Mais uma vez, não ter conhecimento da série original de Jacques Martin, em nada dificulta o enquadramento com estas novas histórias. Tanto os cenários, como os monumentos e as pessoas, são apresentados com um nível de detalhe exímio, com cores subtis, destacando-se os degradés, necessários para um sentimento mais naturalista em comparação com os desenhos dos primórdios de Alix.

Vale a pena testemunhar esta peça, como recordação de um tempo que se projeta hoje! Alix desce aos túmulos neste capítulo, resta saber se não ficará consumido pelas profecias de homens mortos…

Valerie Mangin, é latinista e historiadora. Combinando Antiguidade e Ficção Científica, escreve as séries “O Flagelo dos Deuses”, em 2003, em 2012, lançou “Alix Senator”.

Thierry Démarez, um apaixonado pelo desenho e pela pintura, aprofundou a sua formação artística e tornou-se cenógrafo da companhia de teatro da Comédie Française. Desenhou o seu primeiro álbum em 2002. Em 2012, inicia a série “Alix Senator”.

Autores: Valerie Mangin
Ilustração: Thierry Démarez
Género:
Banda desenhada, História
Editora:
Gradiva

Argumento: 9
Arte: 9
Legendagem: 7
Veredito final: 8

 

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