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Crítica BD – Abandonos – A queima não sara.

Um ano após o lançamento de “Planeta Psicose”, Ricardo Santo regressou com uma nova criação, novamente publicado pela Escorpião Azul.

“Abandonos”, é uma narrativa que utiliza as consequências ambientais dos incêndios na Serra da Estrela como mote para abordar as questões de quem vive no interior do nosso país e do exato abandono a que essas famílias, natureza e animais estão sujeitos.

Entre factos reais e ficcionais, esta história divulga a luta de um grupo de pessoas que, após uma tragédia, se uniram na causa comum de preservar o património natural e cultural da Serra da Estrela.

Esta BD fala, exatamente, sobre os dilemas internos de quem cresceu e de quem vive no interior. O leitor começa por conhecer duas amigas que percorrem as zonas da serra, afetadas pelos incêndios de 2017, acompanhadas pela organização “Movimento por uma Estrela Viva”, outro conjunto independente de cidadãos que se formou na região, atuando na regeneração dos terrenos ardidos e desamparados.

Esta é uma BD sobre resistência, é notório, à medida que o argumento avança, que os valores e propósitos iniciais nunca desaparecem ou se distraem com matérias mais fáceis.

Visualmente, agradou-me bastante a linha e forma dos ambientes e figuras, retratando com precisão as emoções e carateres dos cenários e os seus intervenientes. Contém trechos que vivem apenas do movimento das personagens e das suas expressões, o que revela uma boa capacidade de organização no desenho.

“Abandonos”, demonstra-nos que a esperança nunca arde, que com iniciativa e diálogo tudo é alcançável. O segredo é querer olhar em volta, o segredo é querer agir em volta.

Ricardo Santo, nasceu em Leiria (1976) e foi criado em Pataias.
Vive em Barcelona, onde exerce a atividade de designer industrial. É também ilustrador, animador e autor de Banda Desenhada Recebeu diversos prémios pelas suas bandas desenhadas em festivais e certames. Estreou-se a publicar, nos anos oitenta, durante a instrução primária no Jornal de Pataias, com a série “Ching Xung”, inspirada nos “Jovens Heróis de Shaolin”.
Teve também uma passagem breve pelo cartoon político, bem como na imprensa regional e contribuiu com várias histórias em fanzines, revistas e coletâneas de BD, tendo sido autor do seu próprio “Fanzine para Machos” e coautor do pasquim “O Desgraçadinho”.
Publicou em 2017, em edição de autor, o álbum “Livro Sagrado”. Em 2020, foi publicado pela editora Escorpião Azul com o álbum “Planeta Psicose”.

Autor: Ricardo Santo
Ilustração: Ricardo Santo
Género: Banda Desenhada, História Verídica
Editora: Escorpião Azul
Argumento: 7
Arte: 8
Legendagem: 7
Veredito final: 7 

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