Cinema: Crítica – O Predador (2018)

O Predador estreia hoje em todo o país e o Central Comics já foi ver! É um filme que faz juz ao franchise, ou será mais um AvP, mas sem o A?

Tenho boas notícias e más notícias.

O Predador

O outrora rapaz-maravilha de Hollywood, Shane Black (pela única razão de que o Pai Tempo não espera por nenhum Homem) afirmou várias vezes à imprensa que o seu objectivo era tornar o Predador “misterioso e assustador outra vez”.
E quem melhor do que ele, membro do elenco do clássico de John McTiernan de 1987 que viu um pouco convincente pacote de músculos de Bruxelas a transformar-se numa icónica criação do lendário Stan Winston.

Em 1987, o Mundo conheceu uma ofegante e visceral (literalmente) desconstrucção do então-cinema de acção americano. Um belo rebuçado de chocolate onde balas e sangue eram apenas o embrulho e não o doce, com uma pulsação mais-que-viva que qualquer criatura naquela qualquer selva da América Central.

Um ambiente perfeito para capturar a natureza de um Predador. Ou se preferirem, Caçador de Prémios.

O Predador

Depois de me desbocar mais que o Joe Hallenbeck (vá lá, não estou a escrever isto de madrugada para não atirar referências avulsas ao universo de Shane Black), confesso que esta promessa não foi cumprida.

Entre volumosas perseguições digitais e uma narrativa que se estende mais que o Ron Jeremy numa noite de lua cheia, a ordem principal é “fica grande” e “mais, mais” (outras duas frases muito populares do sr. Jeremy), em que qualquer suspense ou impacto visual são lavados por um Digital para Tótos, de onde se tiram lições para qualquer outro filme num multiplex.

Mas afinal que raio de fã fala assim de um dos seus escritores favoritos e que se borraria de medo se esta crítica fosse traduzida e enviada para Shane Black, o próprio?

  Quem venceu o duelo de vilões nas bilheteiras?

O Predador

Até agora, estava a falar de Black – o realizador. O caso muda um pouco de figura  com Black – o escritor e o seu companheiro de máquina (não estou a falar de um casamento homossexual), Fred Dekker que conseguem aqui uma mistura com mais polpa e Predadores dos seus The Monster Squad e Shadow Company.

As respostas estão na ponta da língua, os one liners voam rápido e algumas cenas estão verdadeiramente deliciosas, principalmente aquelas entre o elenco dinâmico que Black nos apresenta, num verdadeiro malabarismo de pratos (um ou outro vão parar ao chão) que acaba por ser o melhor truque do filme – não fosse esse o dom de Black.

Em risco de cair numa de “para mim, o filme devia ser isto”, não consigo parar de fantasiar se uma dupla como Jason Blum e Gareth Evans pegasse no franchise e o arrastasse pela lama que nem um verdadeiro “Holandês”.

Sim, filme, eu também consigo jogar sujo e piscar o olho várias vezes ao original. Não me peças é para me juntar a ti e fazer o mesmo ao AvP.

Por todos os seus pecados, O Predador consegue ser um blockbuster moderadamente cativante, com o tradicional ADN de Black & Dekker e o elenco a cuspir o material com gusto. E mesmo sem usar a minha visão térmica, bate aqui um coração que vale a pena espreitar.

Ah, querem as boas notícias?

Não estou a rever o remake do Rollerball.

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Tiago Laranjo

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