Cinema: Crítica O Filho de Deus (2014)

son-of-god-poster-trailer-diogo-morgado-trailer-pn-imgEu confesso que épicos religiosos não são para mim. Não que eu tenha algo contra eles, aliás até estou curioso com o que Darren Aronofsky vai estrear e com o que Ridley Scott está quase a acabar, no que parece ser o ano em que saíram mais épicos bíblicos do que filmes do Tyler Perry (um record nada fácil de bater) – mas tenho algo contra quando estas adaptações estão ao nível mais básico e preguiçoso possível, feitas apenas para ir levantar o cheque ao banco.

Diogo Morgado é Jesus de Nazaré e O Filho de Deus é uma das inúmeras adaptações da vida de Cristo desde o seu nascimento, crucificação e ressurreição, baseado nas escrituras do Novo Testamento (quando eu digo inúmeras, quero mesmo dizer inúmeras… desde stop-motion a Christian Bale).
E claro, o filme não perde tempo nenhum. Passado pouquíssimo tempo já temos Jesus introduzido e logo a seguir, vemos os seus discípulos e apenas Pedro (Darwin Shaw)  é que merece uma introdução. Nenhum build-up, nenhumas cenas extra, apenas uma rápida montagem e siga caminho.

Alguém atrás de mim disse o título “The Bible’s Greatest Hits” e surpreendentemente, esse seria um melhor título para o filme do que O Filho de Deus, porque o que vemos aqui não é nada mais do que um semi copy/paste da mini-série de 10 horas do The “History” Channel que apenas foi adaptada para cinema quando os produtores ouviram o doce, doce som do coelho da Páscoa.

Talvez o filme conseguisse algum crédito através do seu protagonista, mas Diogo Morgado (também conhecido como “inserir caucasiano aqui”) é do mais banal e pouco convincente possível, chegando a tocar o hilariante quando tenta dizer algo profundo e comovente para a câmara.
Aliás, para evitar algo tão monótono da próxima vez, os actores com o papel de Jesus Cristo deveriam se limitar a Christopher Walken, Joe Pesci ou Nicolas Cage (com uma participação especial de Larry King como Moisés).

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Infelizmente, as melhores performances do filme são de peixes mortos, pão que é dividido e da forte madeira em que Jesus é crucificado, enquanto o resto do elenco perde-se em sotaques britânicos, lágrimas e mais sotaques britânicos (eu não esperava que fosse A Paixão de Cristo, mas por um triz não faziam uma pausa para o chá).
Um destaque muito especial para os momentos de pura comédia vindos das personagens de Maria (Roma Downey) e Pôncio Pilatos (Greg Hicks) – que infelizmente ainda não conseguiu ter uma cena com o seu grande amigo, Biggus Dickus.

O resto do filme respira The History Channel (que dizem que não é muito bom para a saúde) – desde os efeitos visuais que gostariam de chegar aos calcanhares do Pong, aos cenários que em breve serão aproveitados pela Penthouse para um novo Calígula e à banda sonora que parece ser composta por temas não usados do Gladiador (curiosamente, Hans Zimmer aparece aqui como um dos compositores).

son of god diogo morgado

Mas o filme não é um desastre total, aliás é das melhores comédias não intencionais desde o remake de The Wicker Man e consegue nos dar vários momentos dignos de um belo RiffTrax, culminando numa sequência hilariante final ao som de uma música do Cee LoGreen enquanto rolam os créditos finais (fica para a próxima Dave Mustaine).

Sejamos honestos, não havia necessidade em voltar a esta história, não desta maneira e não quando existem filmes como A Última Tentação de Cristo de Martin Scorsese. Mas enquanto o filme de Scorsese provocou um mar de controvérsia, O Filho de Deus promete fazer um rio de dinheiro.

Tiago Laranjo
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2 Responses

  1. Sissi diz:

    Gostaria de saber se por acaso você lê a Bíblia, se lê os evangelhos e percebeu que o filme é bem fiel e poucos detalhes foram acrescentados, pois me parece que você nem cristão é. Comparar com um filme blasfêmico, não tem sentido nenhum. O filme O Filho de Deus tem algumas cenas de efeitos especiais não tão boas, mas a mensagem que quiseram passar acho que você não entendeu, é sobre amor bom, sobre humildade, sobre compaixão e entrega.Se conhece-se o ator Diogo Morgado perceberia que ele atuou e muitas cenas ele estava realmente emocionado e envolvido. O Nicolas Cage parece um robô atuando sem emoção nenhuma, comparação sem sentido. Sei que provavelmente nem vai deixar o comentário ser publicado, porém gostaria de dizer isso pra que perceba que você está errado, e que os produtores do filme/serie são cristãos e participam de uma organização que evangeliza e ajuda crianças e foram auxiliados todo tempo por teólogos,pastores e bispos. Então essas são as mensagens da serie,a Bíblia e do filme O Filho de Deus: amor bom, humildade, compaixão e entrega da Vida de Cristo para perdoar nossos pecados.

  2. Tiago Laranjo diz:

    Pontos de vista à parte, tirou um pedaço do seu tempo a ler este meu velhinho texto e só por isso, o meu obrigado.

    Tendo dito isto, a última coisa com que um filme deve estar preocupado é se é fiel ou não à obra em que se baseia.

    Para citar um velho dizer da indústria, “se querem uma mensagem, vão à Western Union”

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