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Cinema: Crítica “Mães Paralelas”

“Mães Paralelas” é o novo filme do premiado diretor espanhol Pedro Almodóvar protagonizado por Penélope Cruz, Julieta Serrano e Rossy de Palma. Na trama, duas mulheres, mais ou menos preparadas, mais ou menos imperfeitas, dão à luz, no mesmo dia, no mesmo local, dois bebés nascem, cujas origens e destinos se provarão muito diferentes.

Estas novas mamãs, de sentimentos opostos em relação à gravidez, oferecem ao espectador uma história surpreendentemente poderosa, emocional e real. Conhecemos um plot que, inicialmente, se parece com uma telenovela, mas que, rapidamente, evoluí para uma peça madura e humana, proporcionando uma imersão e uma imediata confiança no enredo que se apresenta.

Penélope Cruz (Janis), sabe exatamente o que fazer em cada cena, a mãe de meia-idade que não podia estar mais feliz com o nascimento da sua bebé. Assistimos enquanto esta tenta equilibrar a maternidade com o seu trabalho e vida amorosa. Milena Smit (Ana) aparece no grande ecrã apenas pela segunda vez na sua carreira, oferecendo uma interpretação convincente de uma adolescente que se sente arrependida e assustada com a inevitabilidade e responsabilidade do pequeno ser que carrega.

Almodóvar não perde tempo com diálogos irrelevantes ou dramas desnecessários, mostrando ao público que cada decisão tomada por um dos pais neste filme não é tão simples como algumas pessoas podem pensar. Cada pedaço de desenvolvimento tem uma origem compreensível e uma recompensa satisfatória, incluindo uma história lateral culturalmente rica, envolvendo a família de Janis e os seus antepassados.

“Mães Paralelas” retrata, efetivamente, um paralelismo entre as duas protagonistas através das suas ações e escolhas morais. Outros tópicos como feminismo, violência doméstica e até violação são abordados.

Mais do que a banda sonora, montagens ou efeitos especiais, achamos neste filme os verdadeiros pilares do cinema: o argumento e as personagens. Entre dívidas morais, deceções e descobertas, percebemos que a resolução destas feridas respira pelas relações, pelas conexões estabelecidas, disso vive a memória pessoal e a memória histórica.

Esta longa-metragem, introduz família, liberdade e uma merecida equidade geral. Não se trata apenas de uma criação sobre acasos e coincidências, ao abordar, simultaneamente, o franquismo, os conflitos e injustiças daí geradas, Pedro Almodóvar representa as vítimas, os desaparecidos, o passado, o futuro, e reflete as palavras de Eduardo Galeano:

No hay historia muda.

Por mucho que la quemen,

Por mucho que la rompan,

Por mucho que la mientan,

La historia humana

Se niega a callarse la boca.

“Mães Paralelas”, é um filme honesto, sensível e delicado perante voltas severas, combate atitudes apolíticas e pensa semelhanças. Não é um filme para todos, mas é de todos.

Nota final – 8/10

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