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Cinema: Análise “The Reckoning – O Derradeiro Julgamento”

O ano é 1655, em Essex ou Yorkshire, conhecemos Grace Haverstock (Charlotte Kirk), cujo marido se enforca depois de ficar infetado com a peste bubónica para proteger, exatamente, a sua mulher e filha. Numa vila, tipicamente patriarcal, o escudeiro (Steven Waddington), rapidamente acusa a protagonista Grace de bruxaria, após esta responder aos seus ataques sexuais. É com a chegada do Santo Homem, John Moorcroft (Sean Pertwee) e da sua serva Ursula (Suzanne Magowan), que a trama se desenvolve.

Tortura após tortura são os métodos usados para tentar quebrar Grace e fazê-la confessar uma natureza diabólica. O realizador Neil Marshall, reconhecido pelo seu trabalho em “Game Of Thrones”, “Hellboy”, “The Descent”, foi bastante criativo no que toca aos instrumentos e às cenas que infligiram sofrimento às personagens e entusiasmo ao público, os efeitos especiais foram bem pensados, no entanto, foram excedidos, já que o filme dependeu muito nas sequências fantásticas, desmazelando a interpretação e acreditação dramática. A heroína mantém sempre faces e movimentos brilhantes para quem está a ser torturada há dias. A credibilidade é posta, assim, em causa.

O oculto e a matéria do sonho, tão publicitados, pouco contribuem para a história.

Porém, relativamente a cenários, adereços e brio nos detalhes, nada está em falta. “The Reckoning”, demonstra eficazmente o século XVII em Inglaterra. A orquestra merece iguais louvores, uma vez que conduz as peripécias e desenlaces do filme no tom correto.

Essencialmente, o que falta é material para o elenco trabalhar, as personagens não têm qualquer bagagem ou trabalho de pesquisa, são demasiado vulneráveis a questões, e os seus motivos não estão justificados – Nenhuma delas, é suficientemente complexa, quer psicologicamente, quer emocionalmente.

Partilho até, que alguns diálogos rondam o caricato, é tempo de ecrã usado mal.

Ao drama de “The Reckoning – O Derradeiro Julgamento””, faltou ousadia, onde inovou e surpreendeu acabou por desenvolver pouco, o que resultou em temas inacabados e personagens perdidas num ambiente magistral desperdiçado.

O filme passou no 41º O Festival Internacional de Cinema do Porto encontra-se agora disponível nos cinemas.

Nota final: 5/10

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