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Cinema: Análise – “Suicide Forest Village” – 41º Fantasporto

Numa trama que se assemelha ao mito de Pandora, Takashi Shimizu, depois de “Howling Village” (2019), influencia-se na macabra floresta de Aokigahara, no Monte Fuji, famosa pelo acumulado número de suicídios que ocorrem na região e pela suspeita de espectros pouco amigáveis. Deste modo, “Suicide Forest Village”, não é diferente, no sentido que a fome desta natureza é igualmente insaciável e perturbadora para os seus visitantes.

O filme dá um alerta, depois de passarmos o primeiro tronco de árvore, não há forma de voltar, a partir daí o labirinto intensifica-se e condensa-se. É neste estado, que o público entende de imediato que qualquer esperança está condenada, e que este é uma longa-metragem de terror que faz jus ao seu género.

É um conto bizarro e cruel não haja dúvidas, porém esta ideia e efeito manipulativo que o bosque tem sobre as personagens, é interessante se pensarmos em alucinogénios, e simultaneamente intrigante pela beleza dos cenários.

Mesmo depois de sabermos que a aparente inocência dos majestosos ramos, do mar de arbustos, não passa de uma fachada para as reais intenções, permanecemos fascinados pelas garras, pelos trilhos pegajosos, que não nos afundam, bloqueiam-nos – prontos a devorar-nos.

As fontes de oxigénio e de papel tornam-se seres omnipresentes e omniscientes. Neste aspeto, a luz e a fotografia de “Suicide Forest Village”, são elementos fundamentais para criar estes sentimentos gerais de ameaça e apetite – arrebatamentos amaldiçoados.

É neste enredo magnético de más fortunas e encontros indesejados, que as duas irmãs, Hibiki (Anna Yamada) e Mei (Mayu Yamaguchi), perfuram e fazem jornada do que não deve ser descoberto.

É também interessante observar os contrastes entre as duas raparigas, uma divisão que me lembra coração e cabeça, órgão e músculo obrigados a coexistir – para a nossa grande felicidade ou condenação.

De facto, estas junções e metamorfoses, de arrepiar, juntamente com figuras e símbolos sonoros tornam esta obra um belo dicionário, surpreendentemente funcional, de tudo o que é fantasia do macabro. No entanto, algumas subtilezas escapam e desmontam o puzzle final, denunciando a linha negativamente imprevisível do filme:

A caixa é afinal uma arma, ou apenas um adereço?

Esta obra japonesa fez parte da seleção do 41º Fantasporto, no Hard Club, sendo reconhecida com o Grande Prémio Melhor Filme.

Nota final: 7/10

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