Central Comics

Banda Desenhada, Cinema, Animação, TV, Videojogos

Cinema: Análise – “Marionette” – 41º Fantasporto

“Marionette”, demonstra que nem tudo é o que parece. Pode haver outro mundo por trás do espelho, basta espreitar. Foi neste clima enigmático que o realizador Elbert Von Strien atuou, reconhecido por semelhantes contribuições no filme “Two Eyes Staring”, temperando, agora também, a carga dramática e o poder do suspense, isto com uma cobertura de terror deliciosa.

A plateia é apanhada numa teia de enredos distintos, que misturados concebem um plot twist extraordinário. A aparente previsibilidade dos eventos é uma charada que cobre as verdadeiras intenções do filme.
O elenco esteve muitíssimo bem, depositando a energia e a devida estranheza aos acontecimentos – representando perspetivas religiosas, filosóficas e até mesmo físicas. Porém, “Marionette”, peca na exagerada exposição e explicação dos factos científicos, subestimando a atenção do espectador.

Marianne Winter (Thekla Reuten), a protagonista, uma psiquiatra que viaja para um novo local de emprego, mais concretamente na Escócia, entre os seus pacientes, conhece Manny (Elijah Wolf), é a partir desse momento que tudo se desenrola, silenciosamente, sorrateiramente, a história desenvolve-se, assim, quando explode todos sentem e sofrem as consequências.

Os mistérios, a selva de pensamentos são a gasolina do filme, felizmente não cai no cliché, nem repete ideais dos clássicos… o percurso é atribulado, com 1001 teorias e resoluções para os factos, mas ninguém abandona o barco. “Marionette” está longe de ser aborrecido ou confuso, está até perto de uma clareza assustadora. O investimento nos detalhes, nos planos, é de tal forma sentido, que ninguém ousa ter respostas antes das cenas finais – coisa rara num universo de opiniões.

A comunicação direta (mesmo que acidentalmente) com a nossa atual sensação de impotência face aos acontecimentos pandémicos ou rotineiros faz com que a trama seja ainda mais intensa e fácil de comparações, e no final, para surpresa de muitos, ainda pode causar um pingo de esperança e alívio nestes tempos tão sombrios.

“Marionette”, é um puzzle que leva o seu tempo a encaixar, um slow burn de génio! Trata-se de um terror cerebral, contemplativo e agitado.

Não quero revelar muito do argumento, comento apenas: o que é construído durante os 112 minutos da longa- metragem é genuíno, chocante e inesperadamente reconfortante. Os tons e as cores na tela, muito contribuem para esta variedade de sentimentos.

Há questões que ficam por resolver? Claro que sim! Essa é, exatamente, a parte divertida, entender que afinal não temos o direito a saber tudo.

Com base, nestas sinfonias, “Marionette” é uma interessante adição ao género de horror. O Festival Fantasporto primou e premiou esta escolha de conteúdo, concedendo a esta obra o troféu de Melhor Atriz para Thekla Reuten, e da Crítica.

Nota final: 8/10

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *