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Análises – Porto/Post/Doc 2022

Porto/Post/Doc  regressou à cidade entre os dias 16 e 26 de Novembro e em diversas salas de espetáculos, com um total de mais de cem filmes a marcar os dez dias do festival, propondo um olhar transversal sobre o cinema contemporâneo e as obras de cineastas marcantes.

Neste artigo iremos analisar alguns dos filmes do festival, pondo em destaque as memórias que trouxemos dessas viagens cinematográficas.

Hallelujah: Leonard Cohen, A Journey, A Song

A abrir o festival, numa sessão que teve lugar no Coliseu Porto Ageas, Hallelujah: Leonard Cohen, A Journey, A Song, filme de Daniel Geller e Dayna Goldfine sobre a história da intemporal canção de Leonard Cohen.

Esta música foi lançada no álbum Various Positions em 1984. A canção foi posteriormente gravada por Jeff Buckley em 1994, que ficou conhecida como uma das versões mais bonitas da música de Cohen.

Muitos artistas gravaram a canção, sendo tocada em diversos filmes e comerciais. A primeira versão tem quatro estrofes e a de Jeff Buckley possui cinco. Juntas, as duas versões são compostas por sete estrofes diferentes.

Deste modo, esta longa-metragem explora com sucesso a construção da letra da canção através das diferentes fases da vida de Cohen, da juventude à velhice, explorando as suas crenças, loucuras e desilusões.

Existem outras peças com foco em Leonard Cohen, principalmente Leonard Cohen: I´m your man (2005) e Marianne & Leonard: Words of Love (2019). Ambas têm os seus méritos, mas nenhuma captura a notável história espiritual do mesmo tão completamente quanto esta.

Documentando, completamente e verdadeiramente, o homem incomum e notável que escreveu: “

I did my best. It wasn´t much.

Talvez as únicas palavras falsas que ele já escreveu.

Nota final: 8/10

Meet Me in The Bathroom

Seguimos com Meet Me in The Bathroom, de Dylan Southern e Will Lovelace, uma obra que visita a história da criação da DFA Records e de bandas como os LCD Soundsystem, The Strokes, Yeah Yeah Yeahs, Interpol, etc.

Passeamos sobre a cena musical nova iorquina do início do século, entre a euforia causada pelo surgimento de numerosas bandas e a melancolia de histórias que começam bem e ameaçam descambar.

A história é contada por meio de diferentes depoimentos e abordada por diferentes ângulos, gerando uma narrativa ágil e cinematografia bela.

Uma boa forma de entender as pessoas por trás dos artistas e o facto de que a fama é apenas um estado e que os astros do rock também são humanos.

Nota final: 7/10

El Arena

El Arena, é um bonito documentário, de Jay B. Jammal, reflete sobre palavras e como elas, sem dúvida alguma, são pontes de acesso.

A ação passa-se em Beirute, onde graças à relativa liberdade de expressão que vigora no Líbano, reúnem-se rappers de todo o Médio Oriente naquela que é conhecida como “A Arena”. Ali, organizam-se as mais épicas batalhas de rap do mundo árabe. O espectador fica imerso num submundo de criatividade e companheirismo, um oásis musical num país assolado pela guerra.

Apesar de tudo, esta comunidade prossegue a sua paixão, nunca desacreditando o poder da esperança.

Contra as balas, as rimas!

Nota final: 7/10

Poetry in motion

Findamos este artigo com Poetry in motion, que serviu como “resumo dos últimos 11 dias”, segundo Dario Oliveira, diretor do festival.

Foram projetados 11 filmes recentes que examinam métodos e formas de criar a partir do real.

O nome desta reunião de curtas é inspirado num filme com o mesmo título, de Ron Mann, que vai estar em exibição na próxima edição do Porto/Post/Doc.

Nesta compilação foram percorridos temas, abordagens, memórias (pessoais e coletivas), a própria relação com a imagem, com o som e com a história humana que a todos nos diz respeito.

Nota final: 6/10

Porto/Post/Doc volta no próximo ano entre os dias 17 e 25 de novembro. A décima edição vai expandir-se para o Batalha Centro de Cinema, que abre dia 9 do próximo mês.

Vemo-nos para o ano! Num festival que mais do que ser um promotor cultural, pretende ser um agitador cultural.

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