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Análise: Mattéo 5º época (Setembro 1936-Janeiro 1939)

Com esta Quinta Época (Setembro de 1936-Janeiro de 1939), a Ala dos Livros prossegue com a edição em Portugal de Mattéo, a série criada pelo francês J.P. GIBRAT.Mattéo 5 - Quinta época (Setembro de 1936-Janeiro de 1939)

Seguimos a vida de Mattéo, que vai marcando presença em momentos e conflitos históricos relevantes como a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Soviética e a Guerra Civil Espanhola, até chegar, inevitavelmente, até à Segunda Guerra Mundial.

Com a Guerra Civil Espanhola como pano de fundo, Mattéo e os seus companheiros estão estacionados, sem que muito aconteça, na aldeia de Alcetia, em Espanha. No entanto, depois de Amélie ter sido capturada pelos nacionalistas, Mattéo está disposto a tudo fazer para conseguir libertá-la. Apesar disto, Anechka parece não ter grande empatia com Amélie, pondo a missão de resgate preparada por Mattéo em sério risco.

Em simultâneo, Mattéo está instalado em casa do maior latifundiário da região, um nacionalista radical, o que leva o autor Gibrat a bem explorar esta relação entre estes dois homens que será um dos pontos mais altos deste quinto volume da série. É que, sendo aparentemente antagónicos, com o gradual desenvolvimento da relação entre ambos, verificamos que talvez eles tenham mais em comum do que aquilo que gostariam de admitir. É um paradoxo que terá efeitos políticos e emocionais.

Achamos nesta nova entrada um bom conjunto de acontecimentos e revelações que, certamente, não vão deixar os leitores indiferentes.

Vemos as personalidades do enredo evoluírem com as experiências passadas, existindo essa preocupação em humanizar e cruzar realidades. Já em termos de desenho, tendo em conta que se passaram muitos anos desde o primeiro tomo até esta parte, o desenho das personagens parece ter envelhecido pouco ou nada – o que impossibilita uma maior imersão por parte do leitor.

Quanto às ilustrações de Gibrat, observamos um traço naturalista, com belas anatomias e desenhos de rosto (embora algo semelhantes entre si), uma ótima capacidade de ilustrar cenários e ambientes e, ainda, com belíssimas cores a aguarela, Gibrat permanece virtuoso visualmente.

Quanto à edição da Ala dos Livros, em linha com o lançamento dos álbuns anteriores: capa dura, excelente papel, boa encadernação e boa impressão. A apresentação é toda ela positiva.

Sabemos também que o autor prepara-se para editar, em França, muito em breve, o sexto volume da série.

Mattéo, mantém o seu carisma e a sua disponibilidade para sonhar, apesar das guerras, das mortes, dos abandonos. Seja ao frio, ao calor, na perdição, na bonança. O caminho segue e os trilhos vão-se alargando. Quanto mais as ameaças, mais a vontade de reagir. É próprio das revoluções!

Jean-Pierre Gibrat nasceu em Paris em abril de 1954. No seu currículo constam publicações como o “Le Nouvel Observateur”, “L´Événement”, “Science et Avenir” e as revistas infantis “Je Bouquine” e “Okapi”. A partir dos anos 90, a obra de Gibrat regista uma tendência mais adulta, incluindo-se nesta fase as obras “Pinocchia” (1995, com argumento de Francis Leroi) e “Maré Baixa” (1996, com argumento de Daniel Pecqueur).

Autor: Jean-Pierre Gibrat
Ilustração: Jean-Pierre Gibrat
Género: Banda Desenhada, Romance Histórico
Editora: Ala dos Livros

Argumento: 8
Arte: 9
Legendagem: 7
Veredito final: 9

matteo 5 - Wook

 

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