Análise BD – “Tropicária” – Menos peixe e mais trabalho!

“Tropicária” volume 1, da autoria e ilustração do brasileiro Edson Masakiro, designer gráfico que se dedica atualmente à criação dos seus volumes manga. Esta é uma publicação original da portuguesa Midori Editora, que inclui os primeiros 6 capítulos da saga, com muito bom aspeto – boa encadernação e papel de qualidade para uma impressão digital.

“Tropicária” é o nome da ínsula onde vive o jovem Hokui, ousado e destemido, conhecido por todos como O Rasgador de Baleiaspelo motivo de ser o encarregado de soltar os doces que chegam dentro das barrigas das baleias, que todos os anos, numa data especial sobrevoam a localidade ( uma alegoria estranha a pinhatas). No fundo é um rapaz mistério, foi adotado pelo pescador Kunanuscada, que o descobriu exatamente dentro dum peixe, cuja espécie pertencia ao período dos Elmaias, um povo ancestral relacionado com o Deus Kalahari – considerado o protetor da ilha. Com uma força e poder crescente, Hokui descobre com Gatz (o seu novo mestre de artes marciais) que a sua identidade se cruza com as raízes de Tropicária e que o seu destino é zelar pelos habitantes da sua terra… Devido à aproximação de ordem criminosa Abrahadabra, essa provação está mais perto do que nunca!

Inda que as nossas personagens lidem com diversos enigmas e calamidades, a comédia constitui um ponto central nesta obra, o cómico de situação é exemplar e acrescenta uma maior humanidade à BD, isto aliado a um desenho que vai brincando com os traços e com as reações mais sérias e mais disparatadas das personagens, torna-se um vínculo muito interessante e coeso entre imagem e texto.

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O leitor encontra um lar bem construído, não tem dúvidas disso, possivelmente a única coisa que encontro em falta é, por vezes, uma desaceleração dos diálogos, um momento guia, para tomar certezas de que o enredo não engole a perceção do espectador com tanta mistura de mistérios que se revelam reais. A fantasia está bem trabalhada, contudo seria mais impactante se fosse mais doseada entre páginas.

Fiquei a conhecer um rol de figuras extenso, em que cada um prima por uma singularidade bem própria – elemento que, mais uma vez, instala uma monopólio de tons e contrastes culturais que só afetam positivamente o livro e que, assim, aliciam a curiosidade do leitor por mais conteúdo – sentimos as personagens e elas sentem-nos a nós – é um jogo dramático do persuasor e do persuadido.

Quanto a futuras edições e sequelas desta narrativa pela Midori, Masakiro já tem finalizados o segundo volume e a primeira metade do terceiro volume, planeado um total de 6 volumes para concluir a série.

Autor: Edson Masakiro
Ilustração: Edson Masakiro
Género: Banda Desenhada, Aventura, Ação, Juvenil
Editora: Midori Editora
Argumento: 8
Arte: 8
Legendagem: 2
Veredito final: 8


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Raquel Rafael

Da marginalidade à pureza gosto de sentir tudo. Alcanço o clímax na escrita. Sacio-me com a catarse no teatro. Adiciona-se uma consola, um lightsaber, eye makeup quanto baste e estou pronta a servir.

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