Análise BD – “TLS Series Raízes” – As pegadas do ficar e do ir

 TLS Series é uma antologia de banda desenhada do The Lisbon Studio. Cada volume corresponde a um tema, e conta com uma equipa de autores com ideias e tópicos diferentes – é uma boa coleção da criatividade e talento da BD nacional.

Neste quarto volume investigamos as estruturas, os alicerces, as sementes que incentivaram estas raízes que agora folheamos. Locais, pessoas, gostos e manias, o animal, o humano que em nós habita é dissecado, desenhado e discutido. E que besta de palco ele é!

O leitor lê-se e vê-se em sete histórias, caminha por paisagens em constante mutação, mas jamais as estranha, sejam elas mais reais ou da ordem mais mística, cada cenário é abraçado com uma forte identificação e relação entre a matéria exposta e a massa viva que compadece com ela.

Durante quatro anos ao longo do quais saíram estes quatro livros, todos eles temáticos – Cidades, Silêncio, Viagens e Raízes – o The Lisbon Studio recebeu várias nomeações e venceu algumas inclusive, para os Galardões do Comic-Con e os Prémios Nacionais de BD da Amadora.

Autores portugueses que escrevem sobre os seus passados e que ao mesmo tempo deixam legados com estas iniciativas e vontades coletivas de surpreender e investir em storylines novas. Criadores esses que trabalham para a Marvel, autores que representam best-sellers, que trabalham em design, ilustração, web-design etc. Cada um deixa uma marca, uma palavra e uma história para acompanhar o café.

  Edições Marvel da Panini Dezembro 2020 (Checklist)

Em “Raízes” participam Marta Teives – responsável pela capa, Pedro Moura, Nuno Saraiva, Quico Nogueira, Ricardo Cabral, Filipe Andrade, Bárbara Lopes e, em estreia, Ana Branco.

Entre cada conto cruzámo-nos quer com traços e cores luminosas, quase idílicas que remetem à memória, quer junções de negros e brancos, painéis manchados que projetam as dualidades da alma e as inércias da rotina. Ambos o texto e a imagética contêm um humor pessoal muito próprio – não de um relato direto, antes de um relato vivido.

 Não se conseguia andar. Ninguém andava. E eu fui engolida pelo nevoeiro e gostei. E não me afoguei.

Este livro e as suas oferendas são prova viva que plantas florescerão juntamente com árvores vigorosas que para além de capacitarem a BD portuguesa, obrigam-nos a olhar mais para baixo, para os passos que damos, numa obra deliciosamente filosófica e perigosamente verídica.

Autores: Pedro Moura, Nuno Saraiva, Quico Nogueira, Ricardo Cabral, Filipe Andrade, Bárbara Lopes , Ana Branco
Ilustração: Marta Teives, Nuno Saraiva, Quico Nogueira, Ricardo Cabral, Filipe Andrade, Bárbara Lopes , Ana Branco
Género: Banda Desenhada, Comédia, Drama
Editora: A Seita

 

Argumento: 8
Arte: 7
Legendagem: 4
Veredito final: 7

Raquel Rafael

Da marginalidade à pureza gosto de sentir tudo. Alcanço o clímax na escrita. Sacio-me com a catarse no teatro. Adiciona-se uma consola, um lightsaber, eye makeup quanto baste e estou pronta a servir.

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