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Análise BD – “Tex: A Chicotada” – Cowboys e gringos

Este clássico criado no distante ano de 1948 por Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini, regressou agora às livrarias portuguesas pela editora A Seita.

A série foi impressa com um maior enquadramento, mais perto do formato franco-belga, a cores, e claro, com ação a saltar das páginas!

É de salientar, igualmente, que esta edição portuguesa, para além de um desenho original de Tex exclusivo, feito por Mario Milano, traz também consigo material extra como entrevistas aos autores e os estudos das capas.

Começo precisamente pelo ritmo da história, o conjunto de acontecimentos da narrativa são mais dinâmicos e, em excelentes relações, com as maiores dimensões das folhas – proporcionando, assim, grandes planos das personagens e das suas respetivas emoções.

De facto, “Tex: A Chicotada”, apresenta o seu conteúdo com muitas influências cinematográficas, quer pela componente visual, quer pela componente sentimental e trágica, que são as típicas vinganças dos westerns.

Na verdade, o nosso suposto e antecipado vilão, Diego Portela, carrega mais do que um semblante marcado, é, aliás a partir das suas cicatrizes, que desvendamos as memórias sofridas que transporta consigo no seu caminho e busca por um desenlace justo.

Don Alvarado, o seu antigo patrão, tem muito para responder, mas será ele o único responsável? Merecerá o castigo final, se também ele foi mais um peão no jogo de tabuleiro de outrem?

Como não poderia deixar de ser, Tex Willer e Kit Carson, os famosos rangers, também estão no México, o local da disputa, no rastro de uns traficantes. À primeira vista um trabalho fácil revelar-se-á uma cruzada entre infelizes e afortunados.

Num contexto visual, esta obra surpreende, resulta com uma pulsão inovadora para a trama do livro, já que, apesar das suas personagens carismáticas, houve uma falta de exploração nos backgrounds e motivos das mesmas, isto torna a BD demasiado previsível e pouco inesperada relativamente aos resultados finais.

Felizmente, é pelas cores vibrantes e energia dos cenários – das fervorosas cavalgadas, diálogos e tiroteios excecionalmente demonstrados, que “Tex: A Chicotada”, sobrevive e reverbera nos corações da crítica.

Outro aspeto impactante, é o estilo de conto, ou seja, qualquer fã de longa data, ou recém-chegado, poderá apreciar este volume de Tex, sem confusões ou misturas de outras obras. É um stand-alone e isso é claro.

Apesar de ser um livro bastante célere, entre os dias atuais e o passado dos protagonistas, entre os rancores e as inocências, entre a maldade e a consciência, entre o desconhecido e a natureza, as paisagens nele traçadas são eternas, rejubilam em cada página e servem como forças impulsionadoras das linhas ténues que dividem a amargura e a loucura. “Tex: A Chicotada”, fala-nos, essencialmente, de um ideal de um futuro que foi pisado e, dessa forma, condenado a viver à margem de um passado.

O autor, Pasquale Ruju, começou a escrever para “Nathan Never”, “Martin Mystére” e “Tex”, a partir de 2004. Em 2016, publicou o seu primeiro romance “Un caso come ali altri”, finalista do Prémio Scerbanenco. Em 2017 e 2018, escreveu também para as Edizione E/O, os romances “Nero di mare” e “Stagione di cenere”.

O ilustrador, Mario Milano, depois da licenciatura, alterna a sua atividade de cenógrafo com a de autor de banda desenhada. A sua estreia ocorre em 1994, quando Milano começa a colaborar com a Sergio Bonelli Editore. Desenha para Zona X e, a partir de 1999, para “Nick Raider“. Para além do mercado italiano, colabora também com o mercado francês, nomeadamente com trabalhos para La Compagnie des ténèbres e para a Humanoïdes Associés, etc. Entrou na equipa de Tex desenhando Il villaggio assediato”, uma aventura para a série mensal.

Autor: Pasquale Ruju
Ilustração: Mario Milano
Género: Banda Desenhada, Western
Editora: A Seita
Argumento: 7
Arte: 9
Legendagem: 7
Veredito final: 8

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