Análise BD – “Rosa, Minha Irmã Rosa” – Os mandamentos do ser e do querer

“Rosa, Minha Irmã Rosa”, numa versão em BD, de João Amaral, baseia-se no romance da autora Alice Vieira, uma das mais importantes escritoras portuguesas para jovens, tendo ganho grande projeção nacional e internacional. Assina neste formato não só a massa narrativa como igualmente o prefácio.

João Amaral não é nenhum novato, entre outras obras publicadas, já tinha adaptado os romances “A Voz dos Deuses” de João Aguiar e “A Viagem do Elefante” de José Saramago.

Esta nova proposta de leitura, segue os temas do texto corrido, publicado em 1979, ano em que foi galardoado com o Prémio de Literatura Infantil Internacional da Criança. Agora, numa edição com mais sentidos à mistura, presenciamos os pensamentos, as experiências e os receios da protagonista Mariana à lupa. Os sentimentos da jovem, que já eram expostos magistralmente por Alice Vieira, ganham ainda mais encanto com a franqueza das linhas e da caracterização que o ilustrador oferece. Oscilamos com as particularidades de cada personagem, e damos uma volta de 180 graus ao observar a relação de recéns irmãs, entre Mariana e Rosa, da dúvida à repulsa, do crescente isolamento até à urgência dos afetos.

São os limites do humano senhoras e senhores! E quem melhor para o interpretar do que duas singelas crianças? A ideia da partilha, da inveja e a da realização de comunidade são pontos fulcrais no decorrer da história, quer para o rigor textual, quer para os cenários tecidos por João Amaral, na sua maioria caseiros, de cores mais secas, no entanto as mesmas são revigoradas com as expressões ação/reação do enredo. Deste modo a diversidade existe e não nos cruzámos com variações repetidas de um mesmo objeto.

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A questão temporal domina o livro, mexe e remexe os ambientes e inspira o crescimento e progressiva maturação, seja de pais, seja de tias, seja de filhas. Lemos as pegadas de um percurso familiar, até podemos, inicialmente, hesitar recuar no tempo ou marginalizar o futuro, cada um com seu caso, conforme idades e gostos, contudo a verdade universal é esta: viajar no tempo sempre foi o passatempo favorito da humanidade.

E aqui recorda-se muito, pelas palavras que já passam há gerações e pelas formas que apelam à carne literária da nossa imaginação e confirmam a imortalidade de um desenho no papel.

Autor: Alice Vieira
Ilustração: João Amaral
Género: Banda Desenhada, Romance
Editora: ASA

Argumento: 8
Arte: 7
Legendagem: 5
Veredito final: 7

Raquel Rafael

Da marginalidade à pureza gosto de sentir tudo. Alcanço o clímax na escrita. Sacio-me com a catarse no teatro. Adiciona-se uma consola, um lightsaber, eye makeup quanto baste e estou pronta a servir.

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