Análise BD – “Kingdom Come” Vol. 1 a 4 – O labirinto do ser

Desde o seu grande sucesso com a Marvel em 1994 até o seu trabalho mais atual em “Star Wars, Kirby: Genesis”, Alex Ross continua a fazer magia com os seus desenhos.

Mark Waid, é especialmente conhecido por escrever para a Liga da Justiça, Homem-Aranha, Capitão América e claro pelo best-seller que falamos hoje, “Kingdom Come”.

Esta guerra fria, de moralidades, quase familiar, toma lugar num futuro onde a nova geração começa a quebrar códigos, matar os maus da fita torna-se um sentimento geral, de Deuses e de Homens.

O Super-Homem retirou-se para uma quinta, mover celeiros e cultivar são agora as suas prioridades… Depois de um incidente com um certo Joker, o público deixou de confiar em Kal. A velha guarda opera agora entre os subúrbios, separados e enjaulados num sonho de justiça que não se concretizou. Foi preciso agitar a varinha nuclear, para este velho grupo despertar, debater-se com velhos pesadelos que de nada servem para as premonições que chegam a cada hora, a cada minuto dilacerante.

Quando a luta se transforma num balde de hormonas, cabe também a Norman McCay, um cidadão comum, um pastor, cujo rebanho já não o encontra, receber uma visita de Spectre, e virar testemunha e simultaneamente julgador e jogador do início ou fim dos tempos.

A partir destes primeiros parágrafos, é evidente que a leitura é pesada, mas não menos excitante, potencializadora de uma BD que fascina e aterroriza. Muito como “Watchmen”.

A arte de Alex Ross é sobre-humana, dá brio e glamour ao argumento fatídico de Mark Waid. Os detalhes são belos, assim como a toque da idade nas personagens emblemáticas que conhecemos, sem exageros e creepy battle scars.

A inevitabilidade apocalíptica é notória, nos gráficos e no texto, os danos colaterais são muitos, e o dia do julgamento aproxima-se. Existem inúmeros paralelos religiosos, como referências/ presságios do estado mental dos heróis – Quase sussurra aos ouvidos dos leitores que a vingança é um jogo de tolos.

  Super-Homem voa para novo início

Esta série não é canon, o que não lhe retira de todo um lugar no santo graal dos nossos corações. É um conto que pertence aos Elseworlds, não afetando as tramas estabelecidas da DC.

Outra das grandes virtudes do “Kingdom Come”, é que é super acessível, fãs ou não, ninguém é estranho a Batman (mesmo ele vivendo numa caverna), à Wonder Woman, a Flash, etc.

Porém, para os mais distraídos, convém apreciar o já não tão jovem Billy Batson, porque, bem, ele é o nosso O Captain! My Captain!

É bonito ler um manifesto que acha um meio de alcançar uma era, que para lá de violências e excedentes radicais, pode ser extremamente ativa na correção de erros. Apela-se a um esforço comum, só assim se valoriza um autêntico lugar melhor. Dos retratos realistas de Ross denota-se que o essencial reside, exatamente, na essência. As premissas de ser maior e ser menor não vigoram, ambicionasse um espírito nobre, uma variação de forças.

Passaram uns aninhos (duas boas décadas), de uma obra que celebra e igualmente crítica o seu próprio género – que conquista uma grande parte do entretenimento mundial. Mas seja na terra, no céu ou em galáxias distantes, é dito e feito que “Kingdom Come” supera e instaura novas expectativas.

Autor: Mark Waid
Ilustração: Alex Ross
Género: Banda Desenhada, Ação, Fantasia
Editora: VitaminaBD
Argumento: 10
Arte: 10
Legendagem: 8
Veredito final: 9

Esta obra foi cedida simpaticamente pela Mbooks – a maior armazenista de livros em saldo em Portugal.

Raquel Rafael

Da marginalidade à pureza gosto de sentir tudo. Alcanço o clímax na escrita. Sacio-me com a catarse no teatro. Adiciona-se uma consola, um lightsaber, eye makeup quanto baste e estou pronta a servir.

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