Cinema – Crítica: Cloverfield Paradox (2018)

A Netflix surpreendeu o mundo inteiro na passada segunda-feira, dia 5 de fevereiro, ao lançar o terceiro filme da saga Cloverfield sem aviso prévio. Será que está ao nível do filme anterior ou não há razões para tanto alarido?

Cloverfield Paradox, produzido por J.J.Abrams (Super 8; Star Trek; Star Wars: The Force Awakens) e Neflix, conta a história de um grupo de astronautas em busca de uma nova fonte de energia com o intuito de salvar a crise existente no planeta Terra. No meio desta procura acabam por entrar numa realidade alternativa dando início aos conflitos do filme, havendo acidentes inesperados que a única explicCloverfield Paradoxação apresentada é a do Universo a tentar balancear as duas realidades. É de facto um conceito interessante que enriquece o universo de Cloverfield, no entanto, não é muito clara a forma como este enredo encaixa na trilogia e irá dar origem a várias teorias pelos fãs.

Infelizmente, este filme não consegue estar ao nível do anterior, 10 Cloverfield Lane, que contém grandes performances pelos atores John Goodman e Mary Winstead. Porém, isto não é culpa do elenco. Cloverfield Paradox contém atores talentosos, como Gugu Mbatha-Raw, David Oyelowo, Daniel Brühl, Chris O’Dowg, entre outros, mas que estão mal utilizados devido ao fraco guião do filme. Os diálogos cheios de exposição tornam o filme pouco humano e aborrecido, não conseguindo definir o seu género. Cenas de terror tornam-se em comédia sem qual coerência e certas cenas são claras cópias de outros filmes sci-fi, havendo assim pouca originalidade por partes dos guionistas.

Um dos problemas dCloverfield Paradoxo filme, tal como no anterior, é que aparenta ser um guião completamente individual que foi editado de forma a encaixar neste universo de Cloverfield, existindo assim dois enredos no mesmo. O primeiro no planeta Terra que liga a personagem principal aos acontecimentos catastróficos e o segundo nesta história de realidade alternativa. Os efeitos especiais e fotografia são bastante bons e tornam esta aventura espacial verídica. Teria funcionado melhor se esta história fosse somente acerca da procura pela solução da crise energética sem qualquer ligação ao universo Cloverfield. Além disto, a música apesar de não possuir um tema catchy, funciona perfeitamente neste tipo de filme que roça o horror, comédia e drama em sci-fi.

Por fim, o filme tem os seus momentos intensos e emocionantes que acabam por ligar o espetador à história. É compreensível a pouca confiança dos produtores em lançarem este filme no cinema, mas é um filme agradável para os fãs do género e de fácil acesso aos subscritores do Netflix.

  • Cloverfield Paradox estreou dia 5 de fevereiro de 2018 no Netflix.

Pontuação Final: 2.5/5

Tiago Ferreira


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