Crítica – Linha Fantasma, de Paul Thomas Anderson (2018)

Quando se soube que Paul Thomas Anderson estava a colaborar com o actor Daniel Day-Lewis no seu próximo filme, Linha Fantasma, o mundo cinematográfico principiou em elogios rasgados ao filme e a predizer a presença deste na temporada dos prémios, ainda antes de sair qual imagem ou sinopse do mesmo.

Depois da recepção dividida do filme “Vício Intrínseco”, o realizador Paul Thomas Anderson regressa ao cinema com o filme “Linha Fantasma”, que conta história de um estilista famoso nos anos 50 (protagonizado por Day-Lewis) que vê a sua vida meticulosamente organizada a ser corrompida por uma mulher (protagonizada por Vicky Krieps), que se torna sua musa e paixão.

Para além de uma simples e bela história de amor, o filme nomeado para 6 óscares (incluindo Melhor Actor, Melhor Realizador e Melhor Filme) é uma viagem à psique de uma pessoa totalmente devota ao seu trabalho, com todos os minutos do seu dia a girarem em terno do mesmo, e como esta obsessão afecta as suas relações interpessoais. Enquanto busca automatização das outras pessoas, o estilista encontra alguém que pretende injectar espontaneidade na sua vida, encontrando muitos obstáculos pelo caminho.

O filme transborda de elegância. Através da bela cinematografia e do guarda-roupa requintado, há um ar de charme e primor espalhado pela tela que nos enche as medidas e que nos incita a acompanhar com um copo de champanhe. Escusado será dizer que Day-Lewis está incrível, como sempre, assim como Vicky Krieps. Ambas as performances elevam o enredo a toda uma outra estratosfera. Com magistralidade, os actores e a bela cinematografia conseguem manter a chama do filme acesa.

Porém, o filme peca no seu ritmo que, apesar de ser propositadamente lento, a história principal não carrega um fardo de mistério e tensão que permita ao espectador prender-se à tela durante a totalidade dos 130 minutos de duração do filme. A banda sonora e o guarda-roupa embelezam toda a estética do filme, contudo o peso do tempo de

duração está presente durante todo o filme. Se fosse um pouco mais compacto, a experiência poderia ser mais avassaladora e eficaz.

11 anos já se passaram desde a última colaboração entre o realizador e o actor com o filme “Haverá Sangue”, que galardoou-o Daniel Day-Lewis com o óscar de melhor actor. Entre tecido e agulhas, “Linha Fantasma” veio cimentar o talento indiscutível do actor e do realizador, com elegância e destreza. Porém, este filme não virá a estar no altar cinematográfico de nenhum dos dois.

3,5/5

You see, being in love with him makes life no great mistery.