Cinema: Crítica – “Três Cartazes à Beira da Estrada” (2018)

Mais um ano passou e eis que chega a tradicional temporada dos prémios da sétima arte. Neste ano, um dos grandes nomes nas apostas é o drama Três Cartazes à Beira da Estrada que já foi o grande vencedor dos Globos de Ouro (título bastante longo, por isso vamos apenas chamá-lo de “Três Cartazes”, pode ser?). Será que é merecedor de todo a aclamação que tem recebido ou não passa de uma carta fora do baralho?

Três Cartazes à Beira da EstradaMartin McDonagh escreve e realiza “Três Cartazes”, um filme que conta a história de Mildred (Frances McDormand), uma mãe que aluga três cartazes publicitários de modo a poder confrontar a polícia local sobre a investigação pendente do assassinato da sua filha. O espectador acompanha este confronto entre ambas as partes, numa película carregada de drama e humor negro, já tão característico nos trabalhos de McDonagh, como “Sete Psicopatas” ou “Em Bruges”.

E acreditem, tudo o que já foi falado sobre a potencialidade e espectacularidade deste filme não destoa da realidade.

McDonagh conseguiu conceber um enredo onde balança drama e comédia de uma forma natural e perfeita, sem que nenhuma das partes se prejudique. Através de uma boa estrutura narrativa, o filme pretende contar uma história e fá-lo sem quaisquer “papas na língua”, com diálogos acutilantes que não receiam de ferir susceptibilidades e de mostrar o mundo de uma cidade pequena, com todos os seus defeitos.

Três Cartazes à Beira da Estrada

Porém, é impossível falar sobre este filme sem, pelo menos, fazer uma breve menção aos actores. Ninguém neste filme demonstra que está a representar uma personagem – todos parecem pessoas reais, numa situação real. Frances McDormand, que recebeu o Globo de Ouro de melhor actriz num filme dramático, está magnífica no papel de mãe que não tem medo de enfrentar tudo e todos para obter aquilo que deseja. Para além de Frances, também Woody Hareelson e Sam Rockwell, vencedor do Globo de Ouro de melhor actor secundário num filme drama, ambos policias nesta pequena localidade que necessitam de resolver o caso, estão perfeitos. Todos trouxeram o seu jogo máximo e são merecedores dos elogios e prémios que têm recebido.

Três Cartazes à Beira da Estrada

“Três Cartazes” oferece comédia em drama, violência em crítica social e quotidiano em imprevisibilidade, criando uma obra irreverente que está a impactar com audiência e críticos por todo o Mundo.

Que venham os Óscares, o “Três Cartazes” está à espera.

4,5/5

João Borrega


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