Cinema – Análise: Suburbicon (2017)

George Clooney está de regresso ao cargo de realização com Suburbicon. Um filme escrito pelos irmãos Coen (Este País não é para Velhos) que volta a trazer as características cómicas e violentas que nos têm habituado.

Inicialmente, o filme é sobre uma cidade idealmente perfeita, no qual várias pessoas de pele branca e de regiões diferentes se reúnem à procura de uma vida melhor. No entanto, tudo muda quando uma família de raça negra decide vir viver para esta cidade. Os conflitos urbanos iniciam-se e a população residente dirige as culpas constantemente para esta nova família.

A outra história que se torna o foco de Suburbicon é sobre Gardner (Matt Damon) e a sua família que vive ao lado da nova que chegou à cidade. Numa noite são brutalmente assaltados, a mãe Rose (Julianne Moore) morre e desde aí a cidade torna-se insegura para esta família anteriormente pacífica. O filme mostra rapidamente a causa deste assalto e o verdadeiro carácter de certas personagens revela-se.

Clooney faz uma escolha arriscada ao tornar o filho de Gardner e sobrinho de Margaret (novamente Julianne Moore), irmã gémea da falecida Rose, os olhos do espetador. A história inicia-se assim do ponto de vista de Nicky (Noah Jupe), o qual tem contacto com o filho da nova família negra e serve como exposição das duas histórias a ocorrer no ecrã.  Nicky tem um conhecimento vago sobre o que ocorreu indo aprendendo em conjunto com o espetador. No momento em que a causa do assalto é mostrada, Matt Damon volta ao destaque, fazendo um trabalho espetacular ao retratar uma pesonagem pouco amigável mas que representa a busca do sonho americano e a influência que este tem psicologicamente. Além disto, é de realçar que Julianne Moore volta a mostrar que tem um talento enorme para representar personagens desprezíveis de forma tão cativante como já tinha feito em Kingsman: The Golden Circle (2017).

Suburbicon pode-se de certa forma dividir em duas metades. A primeira apresenta-nos uma premissa calma que muda completamente com o aparecimento da personagem de Oscar Isaac. Este torna-se o ponto de viragem para a história, o destino das personagens é inseguro e o filme torna-se ainda mais violento do que antes.

Um dos pontos a realçar é que estas duas histórias, apesar de já terem um poder individual forte, completam-se brilhantemente. O filme pretende criar uma crítica social que irá ter um forte impacto no espetador. A população urbana culpa constantemente a família negra de tudo o que acontece, como por exemplo um mero acidente de carro na rua ou a morte da mulher de Gardner (Damon). O filme insere músicas cada vez mais empolgantes à medida que o perigo e a violência vão aumentando. É nos dada assim uma demonstração possível do que aconteceria se o ser-humano não aceitasse a liberdade de cada um. A cidade torna-se finalmente no caos e terror americano pretendido.

Clooney traz-nos assim um filme que se desenvolve em conjunto do pensamento do espetador, fornecendo dois enredos brilhantemente interpretados que trazem uma abordagem diferente ao crime e racismo.

Suburbicon estreou no dia 28 de dezembro de 2017, em Portugal.

Nota final:3.5/5

Tiago Ferreira