Cinema: Análise – “Entre Rivais” (2017)

Entre Rivais, filme escrito e realizado por Rob Shelton, conta com os dois grandes veteranos de Hollywood Morgan Freeman e Tommy Lee Jones numa comédia de acção ao estilo do filme de 1988 “Fuga à Meia-Noite”. O enredo gira em torno de Duke (Morgan Freeman) e Leo (Tommy Lee Jones), que têm de colocar a sua rivalidade de lado para salvar a vida de Duke e a do resort de aposentados na qual são hóspedes.

Esta premissa é a mais superficial do filme. No fundo, grande parte do filme foca-se em Freeman e Jones a rivalizarem entre si, entre partidas de póquer, golf e, até mesmo, limbo. Existem certos subplots ao longo da película, tais como o facto existir uma ameaça de assassinato para Duke e o facto de este poder vir a ser despedido do cargo de gerente do resort – apesar de tudo isto ser suplementar no espectro geral do filme.

Verdade seja dita, tudo neste filme grita “facilitismo”. Os actores participam neste filme por ser algo simples, tal como o realizador e toda a produção do filme têm assente a ideia de criar uma longa-metragem fácil de digerir. Contudo, não se pode dizer que não seja divertida.

De facto, por entre o enredo previsível e saturado de subplots, uma cinematografia simples e edição básica, tem de se destacar as duas grandes estrelas que brilham durante os 90 minutos: Freeman e Lee Jones. Eles suportam todo o filme com facilidade e carisma tão característico deles. Não há forma de negar que estes dois actores (que, neste momento, atravessam a casa entre os 70 e os 80 anos) não têm nada a provar na indústria do cinema. Já são duas lendas, com dezenas de filmes que comprovam o seu talento. Neste momento, eles apenas se querem divertir e aproveitar os últimos anos de carreira – este filme demonstra esse desejo.

Os actores transpiram felicidade nestes papéis e é impossível não sorrir ao ver Morgan e Tommy a rivalizarem como dois adolescentes para obter a atenção das senhoras do resort ou para construir/manter a sua reputação pessoal. Estas duas performances tornam um filme que poderia ser extenuante e fastidioso, nalgo passível de se visualizar.

Talvez este filme fique bem num domingo à tarde chuvoso, encontrado ao fazer zapping na televisão, num domingo à tarde chuvoso. Quiçá, até lhe desperte alguma vontade de jogar ao limbo.

2/5 

João Borrega