Cinema: Análise – A Liberdade do Diabo (2017)

A Liberdade do Diabo é o novo documentário do realizador mexicano Everardo Gonzáles, depois do seu anterior documentário “El Paso” de 2016.

“A Liberdade do Diabo “ que já foi nomeado para alguns prémios incluído no “Lisbon e Sintra Film Festival” deste ano na seleção oficial em competição. “A Liberdade do Diabo” é um documentário violento a nível psicológico, duro, cru e um autêntico muro no estômago para espectador.

Este filme aborda vários depoimentos de vitimas reais essencialmente na “Ciudad de Juárez” no México que sofreram de perto nas mãos de narcotraficantes, e também contêm o lado mais negro que vai intercalando este documentário com os testemunhos de alguns elementos narcotraficantes que pertencem a vários Cartéis de Droga.

Vemos as declarações  das vitimas que presenciaram a violência, tortura, agressões, abusos, o medo instalado, mas principalmente sentimos a dor destas pessoas pela morte, desaparecimento e perda de vários familiares.

Da parte dos narcotraficantes que dá para perceber que são na maioria jovens e um militar em particular, pelas histórias que contam ao longo do documentário, pela parte deles não têm medo nem qualquer compaixão de agarrar numa arma e matar uma pessoa dependo da idade que tiver. Porque como eles próprios dizem “ É o nosso trabalho e só fazemos o que nos compete” e fazem estes actos bárbaros essencialmente pelo dinheiro . Na maioria dizem que não há outra solução, e são jovens sem objetivos de vida que entram neste ciclo vicioso e nunca mais vão sair dele. Há um caso em particular no filme, que um traficante sente remorsos, e mete-se no papel das vitimas daquela situação das pessoas que eles matam , e se devem ou não matar crianças, mas é raro.

Existe um ponto importante neste documentário, que todos os relatos que vimos tanto das vítimas como dos traficantes usam uma máscara para não serem identificados. E é incrível na parte das vitimas essencialmente como passam tanta emoção, dor e sofrimento dos relatos que vão contando, as lágrimas que vão molhando as máscaras.

O filme centra-se nas histórias destas pessoas em planos simples, aliás existe muito pouco de exteriores só alguns planos. Mas o mais importante deste documentário, num espaço de uma hora e quase quinze minutos, é que transmite uma mensagem forte e real para o espectador.

 Classificação: 4/5.

David Boturão