Cinema: Crítica – Kingsman: O Círculo Dourado

Eggsy, o ilustre Gallahad dos Kingsman, regressa aos cinemas para salvar o mundo mais uma vez, baseado nas personagens de BD de Mark Millar e Dave Gibbons.

Kingsman: O Círculo DouradoApós uma tentativa de homicídio, Eggsy(Taron Egerton) Embarca numa missão para salvar o mundo. Desta vez acompanhado pelos Statesman, um reflexo Americano dos Kingsman. O inimigo, uma sádica empreendedora, Poppy(Julianne Moore), que planeia fazer do mundo refém através da sua rede de manufatura e distribuição de todos os tipos de drogas.

Não escondo a minha afeição pelo primeiro Kingsman (2014), nem pelo primeiro Kickass (2010), e já estive mais de pé atrás com X-Men: O Início (2011). A verdade é que adoro o trabalho de Matthew Vaughn atrás da câmara, irrelevante da qualidade do produto final. Vejo-o como alguém com um estilo muito próprio de direção que, em cenas de pancada, costuma resultar em autênticos mimos para quem devora filmes. O ritmo mantém-se rápido sem cortes escusados, os planos de sequência invocam uma câmara tremida sem recorrer à mesma e acabam por realmente inserir o espectador na cena sem abdicarem de mostrá-la decentemente. Em resumo: Vaughn sabe realizar lutas.

Kingsman: O Círculo DouradoQuanto à história em si… “Suspension of Disbelief” vem à cabeça, mas afinal de contas isto, para além de um comic, é uma paródia ao género. Há momentos giros, momentos menos giros mas, principalmente, há uma continuação do primeiro filme bastante bem executada e que traz tanta alma quanto o primeiro… peca-se pela condição de Eggsy como herói soberbo, mas foi assim que o deixamos no último filme. As dinâmicas entre as personagens são giras mas os Statesman acabam por parecer um pouco uma gimmick, por muito paródia que sejam. Os cenários roçam no ridículo…

Kingsman: O Círculo DouradoEm contra-partida temos a Poppy Land, indiscutivelmente um esconderijo melhor que o de Samuel L. Jackson. A presença de Elton John como ele próprio, num “cameo” que se torna personagem, acaba por se ganhar uma boa dose de gargalhadas pelo filme fora (por muito grosseiro que o seu humor consiga ser uma vez por outra).
A Juntarem-se ao elenco anterior temos ainda Channing Tatum, Halle Berry e Jeff Bridges, adições mais que bem-vindas.

É um filme simples mas com um charme muito próprio, claramente feito para os fãs do anterior. Alguns dar-lhe-iam uma  nota perfeita, mas num contexto geral não lhe chega assim tão perto.

7/10

Henrique V.Correia