Cinema: Crítica – Sorte à Logan (2017)

Do realizador Steven Soderbergh, dos filmes Ocean’s 11, 12 e 13 e Traffic, chega-nos Sorte à Logan, um filme que poderá passar despercebido entre os títulos de verão mais chamativos, cheios de explosões e enormes nomes nos cartazes. Poderá até ter um título que não encanta o público nem enche salas de cinema, mas que se percebe com o decorrer da ação.

logan luckyDois irmãos Logan, Jimmy (Channing Tatum) e Clyde (Adam Driver), com a irmã Mellie Logan (Riley Keough), planeiam roubar uma pista de NASCAR num plano improvisado e despoletado por Max Chilblain (Seth MacFarlane, quase irreconhecível, por sinal). Para tal, precisam de outro trio de irmãos, os “Bang”: Joe (Daniel Craig), Sam (Brian Gleeson) e Fish (Jack Quaid). Tudo isto num ambiente do sul dos EUA, onde a NASCAR é o “desporto-rei.”

Quanto à representação, Daniel Craig, famoso pelos seus papéis como James Bond, é imponente em todas as suas cenas, chegando a ser difícil imaginar o britânico James Bond, o enorme e mortífero 007, cheio de tatuagens, com sotaque do sul, envolvido em peripécias improvisadas para o roubo de uma pista de NASCAR. Adam Driver, no papel de Clyde, é um ex-soldado que perdeu uma mão (não o braço, como ele insiste em explicar) e, pessoalmente, não pude deixar de pensar que aquela mão devia ter sido perdida no Star Wars – Despertar da Força, como é tradição da família Skywalker.

Voltando ao Sorte à Logan, Soderbergh traz-nos mais um título cheio grandes nomes da representação, um elenco de peso, no que poderá ser chamado de “versão simplista de um filme da série Ocean”, aliás, em certo momento, é usada a expressão “Ocean’s 7-Eleven”, numa clara alusão à triologia de filmes, associada à cadeia de supermercados 7-Eleven, que não prima pelos produtos gourmet, nem requinte. Com um ritmo animado e uma banda sonora apropriada ao que se passa no ecrã, num género apenas instrumental, sem letra, típico dos filmes de Soderbergh, surgem momentos caricatos que apenas se percebem devidamente no culminar do plano.

Há inclusive uma cena que envolve o trabalho de George RR Martin, o autor da saga Guerra dos Tronos, que poderá servir de momento cómico e paralelo com a realidade. Mal comparado, é quase o mesmo método usado num dos filmes das série Ocean’s 11, quando usaram Julia Roberts para se fazer de Julia Roberts, mas neste caso resulta com bastante mais sucesso.

Sorte à Logan, apesar de poder passar despercebido, é um filme que entretém e cujas duas horas de duração não parecem durar tanto.

Classificação: 7,5/10.

Bernardo Rodrigues