Cinema: Crítica – A Torre Negra

“A Torre Negra”, a adaptação da grande saga de Stephen King, já está nos cinemas. Fará jus a obra original ou é mais um caso de tempo e dinheiro perdido?

A Torre NegraJake (Tom Taylor) era um rapaz Normal… Consumido pelos seus pesadelos, cada dia é uma luta, cada noite mal passada parece mais real que a anterior e lentamente ele percebe que nos seus sonhos ele vê outros mundos. Acompanhado por Roland (Idris Elba), o último Pistoleiro, Jake vai lutar contra o Homem de Negro (Matthew McConaughey) para salvar todas as terras das forças do mal.

Divisivo não faz justiça ao filme… Por um lado fãs dos livros adaptados queixam-se de enormes divergências, por outro, fãs dos livros adaptados batem palmas pelo espírito do livro que sobrevive à transição, pela frente, temos a crítica a queixar-se dum filme que não aprofunda toda a sua oferta, e por trás, os gatos pingados dizem que é difícil classificar filmes e que como tal não se deve recorrer a extremos.

A Torre NegraAdmito que não li os livros, pelo que apresentarei uma opinião divergente da norma, tentei recorrer a conhecidos para comparar notas e cheguei a uma conclusão tanto informada quanto possível.

Na adaptação perdem-se detalhes mas mantém-se o espírito, alteram-se traços mas guarda-se a mensagem. Há investimentos político-sociais no casting de Elba, há omissões flagrantes pela história fora, e há um filme giro de se ver.

Troca-se ritmo “livresco” para termos em troca uma hora e meia que passa a correr, numa longa-metragem que faz a melhor adaptação que se consegue sem se abdicar de visão e originalidade. Há histórias e histórias, meios diferentes para contar qualquer uma, sendo uns mais próprios para algumas que outros, Neste processo ingrato a realização dedicou-se ao set design criativo mas nunca rebuscado, aos efeitos especiais presentes mas não exagerados, a um enredo simples mas forte.

The Dark TowerAs personagens são boas, mesmo que não sejam cópias exactas, a planificação está excelente mesmo que não esteja igual àquilo que muitos possam ter imaginado, e o conteúdo que sobreviveu à adaptação funciona muito bem neste filme de verão que irá satisfazer alguns mais do que outros.

É um bom filme de acção com o coração no sítio, procura lembrar que a perda de alguém querido não é um ponto final mas antes uma virgula, e vai na volta é uma boa adaptação.

Aos que nunca antes ouviram falar da Torre Negra, e àqueles com a mente aberta o filme irá certamente entreter. No entanto a qualquer devorador de livros que não queira abdicar da sua interpretação acho preferível deixarem este passar.

6/10
Henrique V.Correia