Cinema: Crítica – Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Valerá Valerian a pena ou vale Valerian ‘rien’? O Central Comics já foi ver o filme de Luc Besson e conta aqui como é!

Valerian e a Cidade dos Mil PlanetasAlgures no século XXVIII após anos de expansão pelo Cosmos a Terra já fica muito para trás, substituída por Alpha, uma colónia espacial onde todas as espécies são bem vindas. Como uma espécie de Bola de Neve, Alpha tem continuamente crescido, cada raça trazendo mais espaço com a sua entrada na estação, uma espécie de soirée intergaláctico em que cada um traz mais um bairro como quem traz sumos e salgadinhos. É no centro desta cidade que ela guarda o seu maior segredo, algo que lentamente se alastra, consumindo todos aqueles que tentam desvendá-lo. Cabe então aos Agentes Valerian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delavingne) desvendar o Mistério de Alpha e salvar a Cidade dos Mil Planetas!

Vou começar por deixar as cartas na mesa e assumir que tenho uma relação estranha com a obra de Luc Besson. Compreendo que há quem goste e compreendo o porquê, mas com ‘Lucy’ admito que me fartei… Depois dum amor universal com o ‘5º Elemento’, que eu nunca percebi por inteiro, e uma apreciação particular pelo ‘Léon’ vi a metragem de 2014 como o peso que faltava na Balança… mas não sei o que sinta face a este Valerian. Numa desconstrução mais aprofundada falar-se-ia sobre argumentos, inserção do filme nos climas politico-económicos e uma data de outras trafulhices, mas isto é apenas um aparte subjectivo numa crítica que, como insisto em frisar, deve ser objectiva.

Valerian e a Cidade dos Mil PlanetasExiste neste filme uma mensagem algures, ou várias, escondidas entre camadas de ação e monotonia e um romance peculiar. E esse romance peculiar é tão mas tão bom, aqui temos uma mulher atraente e aparentemente inocente que baste mas que, fosse necessário, espancava meio mundo e um suposto Garanhão que a quer casar sem razão alguma, eu não percebo porquê mas este conceito é engraçado por si só e a interpretação de Delavingne concretiza este sub-plot de forma soberba.

Quem a viu em filmes como o Esquadrão Suicida vai estranhar, mas o termo “Papelão” no cinema refere-se a isto. Em contra-partida a sua cara-metade deixa algo a desejar, não sei se será o perfil a roçar no adolescente, a voz monótona ou a postura não assim tão imponente ou uma mistura de tudo isso que mutila o protagonista. As ações estão lá, as falas também, e o próprio Dehaan investe-se, mas acho tratar-se dum Mis-cast grosseiro, numa próxima aventura ao mundo de Valerian, salvo a mudança do ator, acho que o papel deveria ser adaptado. Dehaan é um excelente ator quando nos papeis certos, um pouco como Delavingne.

Valerian e a Cidade dos Mil PlanetasE agora vamos falar dos visuais, sim são lindos, um espetáculo que relembra os finais de Rogue One do ano passado. Há personagens mais realistas que outras, há sequências mais fenomenais que outras, mas há também uma flagrante e fatal falha no filme mesmo: o impacto. Durante uma cena em particular, no início, são apresentados 3 bicharocos que acabam interrogados e ameaçados por Laureline e, por mais que me esforçe, não consigo lembrar-me de como eles são, fora o facto de serem baixinhos. Isto nunca deveria acontecer! Fora materiais publicitários e algumas sequências mais mexidas, o filme começa a evaporar-se, e as cores misturam-se mais de cada vez que se recorda. Não é um filme “memorável”, e isso é terrível.

Não vou abordar o cameo da Rihanna em muita profundidade, limito-me a dizer que esperava pior, o mistério em si está bem executado mesmo que algumas partes sejam clichés ou apenas previsíveis, ainda há trabalho a ser feito no CGI dos alienígenas, voltassem as próteses e os efeitos práticos e talvez tivéssemos um filme mais natural, mas não sei o que seria preferível.

É um esforço apreciado e é certo que o público vai gostar do filme, mas duvido que seja revisitado com nostalgia daqui a uma década

Classificação: 6/10

Henrique V.Correia


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