Cinema: Crítica – War for the Planet of the Apes (2017)

É isto.

É isto!

Não fiquei de queixo em baixo com o Rise de Rupert Wyatt – que levantou esta saga depois de Tim Burton lhe ter atirado com uma casca de banana, mas bastou uma injecção de Matt Reeves no franchise para tudo ficar mais claro, ou neste caso complexo – com duas histórias distópicas de uma enormidade e poder bíblico capazes de competir ombro a ombro com alguns dos melhores épicos que esta memória conhece.

WAR FOR THE PLANET OF THE APES, PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA

Woody Harrelson uma das estrelas no filme da Twentieth Century Fox – “War for the Planet of the Apes.”

E, sem me perder em elogios, estamos perante o Santo Graal dos blockbusters – uma jóia entre barulhos metálicos e pilotos automáticos – algo com uma alma e consciência. Num panorama diferente, exactamente o que o original de Franklin J. Schaffner é (menção mais que honrosa para o uber-subvalorizado Conquest de J. Lee Thompson).

Dois anos depois e Caesar (o sempre-prodigioso Andy Serkis) está em plena guerra com a raça humana, que fica ainda mais pessoal com o envolvimento do Coronel (Woody Harrelson) . Assim, e dividido entre uma sede de vingança e o seu dever como líder de uma raça, Caesar terá de pesar as suas acções enquanto trava a sua maior odisseia – que poderá mesmo ser a última para todos os macacos.

War for the Planet of the Apes

Um dos únicos pontos positivos do Apes de Tim Burton foi definitvamente o trabalho prostético do lendário Rick Baker – que levou aos limites tudo o que aquela mestria tinha para nos oferecer.  Nesta nova trilogia, a WETA foi a escolhida para conceber os mais variados primatas (nem por isso, eu sei!) e é sempre um dia solarento quando vemos o seu trabalho em movimento que continua a desafiar a que é possível dar vida com recursos topo de gama, mas que nada seriam sem um conjunto de 140 folhas de qualidade, escritas por Mark Bomback e pelo próprio Reeves.

A qualidade e a tri-dimensionalidade (mesmo se virem em 2D!) do tipo de personagens que nos é dada está num patamar completamente superior – por exemplo, o Bad Ape de Steve Zahn (um dos seus melhores papéis) noutras mãos poderia não ser nada mais que um banal comic relief para nos esquecer da tamanha escuridão à sua volta. Mas aqui?
Aqui, esse mesmo comic relief, não só tem uma história pessoal de partir o coração – como alude a toda uma questão que alarga a dimensão deste mundo com um simples, mas inteligente toque.

E isto sem tirar nada às personagens de carne e osso –  em especial para Harrelson que continua a colheita de ouro de vilões após Brian Cox e Gary Oldman, sendo talvez o mais importante (por certo, aquele com uma maior presença) e que traça um trajecto paralelo ao de Caeser reduzindo todo o conflito a uma questão de perspectiva.

Uma última palavra para a mais-que-excelente banda-sonora de Michael Giacchino que é o tempero perfeito para um filme que em si, já está bem cozinhado. Seguindo a tradição de Jerry Goldsmith, Giacchino consegue aproveitar e trazer para a frente a quantia certa de sons, tons, motifs e afins para criar uma memorável partitura que pertence às melhores dos anos 70 – mesmo tendo sido criada em pleno século XXI.

E então, o que digo do filme? Ora bem…

War é o melhor da nova trilogia.

War é o melhor blockbuster do ano (deste e de muitos outros).

War é o melhor filme de Matt Reeves.

War é um dos melhores filmes pós-apocaliptícos de sempre.

War é um dos melhores filmes do ano.

War é um dos melhores filmes da década.

E se eu tiver com uma boa disposição, War é o melhor filme da SAGA.

Orgulhosamente vivo e a respirar em pleno o legado de clássicos como The Great Escape e Apocalypse Now, Matt Reeves conseguiu aqui uma obra poderosa e o filme perfeito para a realidade em que acordamos todos os dias.

E para estes tempos sombrios em que qualquer grito cai no silêncio escuro da noite  – War of the Planet of Apes fala mais alto que nunca com um brilho nos olhos e esperança no coração.

Ah, e entretém como o raio!

starz

Tiago Laranjo