Cinema: Crítica – All Eyez on Me

All Eyez on Me, estreou hoje! Um filme atribulado sobre uma história atribulada.

All Eyez on MeNão sobram dúvidas da importância de Tupac, tanto mais nos Estados Unidos. Êxitos que caminham para os 30 anos ainda são ouvidos por fãs dedicados e letras poderosas que trouxeram ao público as adversidades duma vida desfavorecida, isto começa a traçar os contornos da vida do Rapper.
Assim sendo fiquei surpreso por saber que All Eyez on Me iria sair este ano, filme que tinha estado no Limbo durante uns 5 anos, mudando de argumento e realização de vez em quando.

Fiquei também surpreso algures a meio do filme quando me apercebi que, por muito interessante que o filme fosse, começava a fugir do conceito “biográfico” que costuma transportar nos seus resumos…
Em All Eyez on Me somos (re)apresentados a Tupac Shakur(Demetrius Shipp Jr.), a discriminação racial que serviu como rampa de lançamento para a sua expressão artística, e o seu caminho pelo mundo da música, conhecendo produtores, managers e outros rappers que influenciaram a sua vida.

All Eyez on MeO filme cria personagens como “boas” ou “más” numa história onde todos seriam humanos, define-os pelo quanto Tupac viria a gostar ou não deles, sem nunca deixar o público tirar conclusões. É um Drama mesquinho nesse aspeto, e coitados dos que se aperceberem. O único personagem que escapa é o rapper Biggie Smalls(Jamal Woolard) com quem, ao fim da sua carreira, Tupac partilhou animosidades(o que hoje em dia são bocas no twitter na altura eram conflitos muito mais sérios), e que no entanto, durante a sua estadia no ecrã, foi apresentado como um amigo leal com mau timing.

Adicionando insulto à injúria, muitos dos representados no filme, em particular Jada Pinkett-Smith(interpretada por Kat Graham) já vieram ao público falar da sua insatisfação, o filme retrata uma realidade muito diferente daquela que eles viveram(para efeitos dramáticos mais do que coesão do argumento) e a música na qual Shakur investia a sua vida passou a ser ouvida apenas em segundo plano, salvo alguns 4 ou 5 êxitos mais mainstream que receberam a honra de serem recriados, seja em concertos ou transições.

All Eyez on MeMas nem tudo é mau em All Eyez on Me, a Fotografia é inteligente em bastantes partes da longa-metragem, e é de resto apreciada salvo o cliché do “tracking shot no rabo feminino enquanto se dirige a sitio X” que se repete 2 ou 3 vezes no filme. A Banda Sonora é mal aproveitada mas muito boa e , ao inicio, mesmo com as suas falácias, o filme promete.
É no terceiro acto, aquando a sua saída da prisão e conseguinte assinatura com a Produtora “Death Row” que o filme se transforma num “mini-Godfather” mal conseguido, no qual o artista Suge Knight(Dominic L. Santana) se torna no Wilson Fisk da Marvel por alguma razão…
No Fim de contas encontraram um sósia bom para o papel principal e ele acabou por mostrar-se um bom actor, mas esse é o maior feito do filme.

All Eyez on Me é engraçado mas a falta de fidelidade à história de Tupac é um grande desmotivador.

5/10
-Henrique V.Correia