Crítica: Cinema – “Glória”, de Kristina Grozeva e Petar Valchanov

Este é um filme búlgaro, realizado por Kristina Grozeva e Petar Valchanov que tem corrido e glorificado em diversos festivais de cinema um pouco por todo o mundo ganhando diversos prémios, como é o caso do Boulder International Film Festival (BIFF), ganhando então o prémio de melhor filme na edição deste ano do festival.

É um filme que por onde passa deixa a sua marca, devido á sua história, ao seu conceito.

Glória

Glória” conta a história de um cantoneiro búlgaro que num dia de trabalho de controlo de linhas férreas, encontra diversas notas espalhadas pelo chão da linha. Informando as autoridades sobre o que aconteceu, Tzanko Petrov (Stefan Denolyubov) vê-se reconhecido como herói. Julia Staikova (Margita Gosheva), a Relações Públicas do Ministério dos Transportes, decide usá-lo como manobra de diversão para encobrir o escândalo de corrupção do ministério, fazendo então com que a vida de Tzanko se torne caótica.

Tzanko é um cantoneiro que apenas quer viver a sua vida tranquila, não sair muito do seu meio social, com um salário estável, apesar de ser pouco, e não se meter em confusões. Julia é uma mulher reconhecida no seu meio social e profissional, vive apenas para o trabalho esquecendo então que está a tentar ter um filho, afastando-se do meio familiar, faz de tudo para que nada falhe no trabalho, mas isso afeta diretamente a sua relação com o marido.

Ao vermos esta obra cinematográfica, podemos observar que havendo história, conceito, conteúdo, ficamos presos no filme devido ao facto de até podermos rever-nos, ou comparar situações que conheçamos, o haver uma hierarquia social e um pouco de desprezo por parte da classe alta para com a classe baixa, as barreiras que existem para se conseguir algo que seja nosso.

Não é um filme que implique efeitos visuais, sendo então um filme que vale pela sua história, pelo conceito presente em si. Escrito por Kristina Grozeva, Decho Taralezhkov e Petar Valchanov, este filme tem um argumento que está bem estruturado, sólido, que conseguimos sentir afinidade e alguma repulsa pelas personagens. Também o facto de se mostrar que existe corrupção no Ministério dos Transportes e a forma como se tenta encobrir tal crime, e ao mesmo tempo Tzanko a denunciar todo o ministério, incluindo o ministro, da criminalidade feita pelos mesmos, ajuda a que esta história se torne bastante real para nós.

Classificação: 8/10

João Maria Calheiros