Cinema: Crítica – “A Cabana”, de Stuart Hazeldin

Baseado na obra de William P. Young, best-seller de vendas, com cerca de 18 milhões de cópias em todo o mundo, “A Cabana” serve-nos como uma espécie de retiro espiritual ao ler o livro e, neste caso, de assistir o filme.

A cabana

É uma obra que nos remete para a nossa espiritualidade, um pouco religiosa, sem se focar tanto nas questões de diferenças entre religiões, mas sim na forma como vemos a vida e como agimos perante ela.

Se formos a pensar que este filme fala sobre religião, ou ensinamentos religiosos, ou espiritualidade e juntarmos a isso a duração do filme (cerca de 2:30), o mais provável é pensarmos duas vezes antes de ir ver o filme. Mas se formos de espírito aberto, a pensar que vamos ver um filme que nos deixe a pensar quando acaba, porque a narrativa está muito bem estruturada, aí sim vemos o filme como os autores – falando do autor do livro William P. Young e do relizador Stuart Hazeldin – pretendem que seja transmitido a mensagem a quem o lê e a quem vê o filme.
A história de “A Cabana” é sobre um pai de uma família religiosa, Cristã, que após uma tragédia familiar, recebe uma carta assinada por Papá – a forma como eles chamavam Deus – a pedir-lhe que vá naquele fim de semana à cabana. Mack Phillips (Sam Worthington) decide ir, mesmo achando um pouco estranho aquela carta. Nesse encontro com Papa, Jesus, Sarayu e Sophia (Octavia Spencer/Graham Greene, Avraham Aviv Alush, Sumire Matsubara e Alice Braga – respectivamente), Mack acaba por aprender um nova forma de viver, ver e agir na vida de uma forma diferente.
A cabana

Assim como Mack, aprendemos também a ver de forma diferente o que nos rodeia, como por exemplo não julgar os outros independentemente da cor/raça, físico, psicológico etc.; ou para fazermos algo não necessitamos de o fazer sozinhos. Esta é a base da mensagem que os autores quiseram-nos transmitir. Uma mensagem dita directamente e indirectamente pelas personagens Papa, Jesus, Sarayu e Sophia. Ao ensinarem estes ensinamentos a Mack, sentimos que nos está a ensinar também a nós como espectadores. Um exemplo desses ensinamentos é a forma como lidamos com a perda de alguém, que podemo-nos sentir culpados ou até mesmo culpar os outros por esse acontecimento. Nesse caso o que nos pode ensinar é que aquilo tinha de acontecer a essa pessoa, sem querer dizer que aconteceu porque essa pessoa merecia que acontecesse esse castigo. O julgarmos as pessoas, culparmos as pessoas e querermos que seja feita justiça da forma como achamos correcto, só o facto de querermos que seja feito como achamos certo, já estamos a agir de forma errada, pois não sabemos a razão que levou a essa pessoa a ter agido daquela forma, mesmo tendo, por exemplo, morto um amigo, não sabemos o passado dessa pessoa.

A cabana

Falando da parte técnica do filme, a relação existente entre a imagem e a história é interessante, visto que podemos ver um ambiente frio e triste nos momentos menos bons na vida dele, e um ambiente quente e harmonioso nos momentos bons. Conseguimos acompanhar o sentimento do personagem principal, Mack Phillips ao longo da narrativa, a sua relação com a mulher Nan (Radha Mitchell), uma mulher católica praticante e trabalhadora, atenta à família, o filho Josh (Gage Munroe), um jovem adolescente focado numa rapariga que é capaz de fazer tudo para ir ter com ela, a filha mais velha Kate (Megan Charpentier), uma rapariga que após a tragédia começa a fechar-se mais com a família, tornando-se anti-social, e a filha mais nova Missy (Amélie Eve), uma menina inocente que após o pai lhe contar uma história sobre uma lenda, ela questiona-se sobre o assunto. Todos os personagens estão bem caracterizados e diferenciados, não só no aspecto exterior com também a parte psicológica. Conseguimos identificar-nos um pouco com cada um deles.

 

É um filme interessante que nos deixa a pensar na forma como vemos a vida e como agimos perante ela, calmo, bom para ver tanto sozinhos como acompanhados, pode ser visto por crianças para que esses ensinamentos comecem a crescer dentro delas.
7/10

 

Maria João Calheiros