BD Speedy – Criticas a Wolverine Origem II (G.Floy), Batman #34 (Panini), Silver Surfer #1 (Marvel) e O Ataque do Submarino Alemão (Sétima Dimensão)

Aborrece-te ler longos textos na Internet? Queres saber apenas o essencial? Este é artigo para ti! Em poucas linhas temos várias críticas a revistas ou livros de banda desenhada.  Hoje falamos de Wolverine Origem II (G.Floy), Batman #34 (Panini), Silver Surfer #1 (Marvel) e O Ataque do Submarino Alemão (Sétima Dimensão).

BATMAN_34-600x917Batman #34 (Ed. Bras. Panini, publicada originalmente pela DC Comics)
De Scott Snyder (A) e Greg Capullo (D); Brian Buccelato e Werther Dell’Edera (A), Jorge Fornes & Scott Hepburn (D)
Crítica de Dário Mendes
Classificação: 7/10

Neste número termina, finalmente, a fase Ano Zero da revista Batman. E digo “finalmente” não por ser má, mas por achar que esta deveria ter sido feito numa maxissérie, e não inserida na revista regular. Seja como for, acaba em grande, com o grande clímax deste arco, em que Enigma (ou Charada, como lhe chamam os nossos amigos brasileiros) assume o controlo sobre Gotham City). O número anterior acaba com um tremendo cliffhanger, e a sua continuação não desilude. O vilão dá a oportunidade a Batman para que, caso ele resolva 12 enigmas, consiga salvar a sua cidade. À medida que ele vai passando pelos problemas, o Comissário Gordon, do lado de fora, faz de tudo para o ajudar. No final, ainda temos direito a um simpátic epílogo de várias páginas, que arremata tudo de uma forma perfeita. Esta leva um 8!
A segunda história faz parte do arco “Ícaro”, mas com uma história paralela à que temos vindo a acompanhar, pois este trata-se originalmente não da série de regular de Detective Comics, mas sim do Anual (neste caso o #3). Não acha que traga grande coisa de novo, e era, quanto a mim, irrelevante a sua inclusão nesta revista. No entanto gostei bastante da arte principalmente pelas páginas desenhadas por Scott Hepburn, ilustrador que desconhecia e que já me obrigou a pesquisar mais sobre ele, na net. O arco termina no próximo mês e não estou propriamente entusiasmado com isso. Esta leva um 6! Ainda de referir que esta revista é um pouco maior que o costume. Tem 84 páginas com o valor de 2,75€.

silver surfer #1 reviewSilver Surfer #1 (Marvel Comics
De Dan Slott (A) e Mike Allred (D)
Crítica de Pedro Nora
Classificação: 7,5/10

A testar a táctica da Marvel em recomeçar a numeração de uma série como meio de aumentar as vendas, a sexta (!!!) série regular a contar com o Silver Surfer enquanto protagonista retoma a odisseia de Norrin Radd no mesmo ponto onde foi deixado há uns meses, quando a série foi concluída, cortesia do mega-evento Secret Wars. Agora, no Universo (All-New All-Different) Marvel, os leitores são brindados com uma história reintrodutória aos elementos introduzidos no volume anterior, cortesia da equipa criativa formada por Dan Slott e Mike Allred. Entre esses mesmos elementos, o grande destaque vai para Dawn, a actual companheira humana do Surfer nas suas viagens. Não sendo segredo que o argumentista se mostra fortemente inspirado pela série do Doctor Who, Slott não faz cerimónia e apresenta uma premissa para esta história inaugural que assentaria perfeitamente nessa série televisiva. E fá-lo de maneira não a incutir à repetição, mas sim de modo a desenvolver tal personagem, explorando não só a sua dimensão humana (e familiar) mas também para apresentar um novo cenário mais terrestre para o Surfer, o qual permite um certo humor de “peixe fora de água”, bem como a sua perspectiva cultural. E embora a escrita aqui se realce por esta proeza de recomeçar sem o rescaldo de deja vu (bem como pelo cariz cada vez mais raro de se revelar na sua maioria como um comic auto-conclusivo), o grande chamariz para a série continua a ser a arte de Mike Allred. Artista de culto reconhecido sobretudo pelo sua criação de autor Madman, o seu traço assenta aqui perfeitamente enquanto mescla ideal dos estilos cósmico e psicadélico dos fundadores visuais do universo Marvel, Jack Kirby (co-criador do Silver Surfer e responsável pela grande parte da imagética cósmica do mesmo) e Steve Ditko (embora este seja mais reconhecido enquanto co-criador de um certo aranhiço, aqui a influência é claramente demarcada pelo seu trabalho com Dr. Strange). Um (re)começo em forma para o ex-arauto de Galactus, agora é esperar para que a maré não volte a sofrer quebras editoriais.

Origem-2-PT-Capa_low_frenteWolverine Origem II (Ed. Pt. G.Floy Studios, publicada originalmente pela Marvel Comics)
De Kieron Gillen (A) e Adam Kubert (D)
Crítica de Hugo Jesus
Classificação: 6/10

Confesso que não tinha grande expectativa relativamente a este livro. Este sempre me pareceu ser algo criado para que a sua editora fizesse “mais uns cobres” do que propriamente por ter de facto algo mais para dizer acerca das origens de Wolverine.

Infelizmente estava certo. Esta sequela à primeira minissérie – lançada em Portugal já por três vezes e que é certamente um dos comics mais vendidos no nosso país desde a extinção do “formatinho” (fora de colecção) – é perfeitamente dispensável. Não é má, mas não acrescenta nada à personagem e é facilmente esquecível passado pouco tempo. No argumento, temos Kieron Gillen, um escritor britânico do qual ainda não li nada que me marcasse grandemente. Na arte, mudaram de Kubert – a anterior era de Andy – para o irmão mais velho, Adam, que toma as rédeas dos desenhos. (O meu Kubert favorito é, sem dúvida o pai, Joe, de quem os filhos estão ainda a milhas de distância).

Estes artistas não comprometem, no entanto, e fazem um trabalho competente q.b. Nas cores, infelizmente, também não conseguiram resgatar o fantástico Richard Isanove, e isso nota-te.

O livro até começa bem, com uma história animalesca, quase sem texto, a fazer prometer que estamos perante uma obra que pode aproximar-se à sua antecessora. Mas, ao chegar ao segundo capítulo, damos conta de que isso não irá acontecer. A trama perde gás ao longo dos capítulos e nem o plot twist final nos faz sentir que tenhamos tido uma viagem inesquecível.

Ainda assim, é de enaltecer o trabalho da editora. O livro está muito bonito como objecto físico, e o preço de 10,99€ por uma edição de capa dura, a cores, é algo muito louvável. Recomendo apenas para quem não esteja apertado de dinheiro. Caso seja esse o caso, sugiro experimentar qualquer outro dos livros da G.Floy: Saga, Tony Chu, Fatale, Southern Bastards – pois são todos eles bem melhores.

SA-CAPA-finalAs Fantásticas Histórias da Madeira – O Ataque do Submarino Alemão! (EPCA/ Livraria Sétima Dimensão)
De Roberto Macedo Alves (A) e Martinho Duarte Abreu (D)
Crítica de Hugo Jesus
Classificação: 7.5/10

Este livro chegou há dias às nossas mãos, fazendo parte de um lançamento triplo dedicado ao arquipélago da Madeira – todos com argumento de Roberto Macedo Alves, mas com desenhadores diferentes. Este, que aqui escrevo hoje, foi o que que me encheu mais o olho e que mais me aguçou a curiosidade. Se a ideia era obterem um livro sobre factos históricos mas sem aquele peso formal e aborrecido que geralmente acontece, então o objectivo foi nitidamente conseguido. Através dos olhos de João, uma personagem fictícia, permitiu o argumentista obter uma narrativa clara, e até com alguns picos verdadeiramente entusiasmantes ao longo da história, e que ainda permitiu culminar com uma revelação final no campo da fantasia. É difícil termos empatia com personagens de uma banda desenhada histórica, e por isso fiquei impressionado que, com uma forma simples mas eficaz, isso é conseguido.
Martinho Duarte Abreu, um perfeito desconhecido para mim, revelou-se num artista mais do que capaz para marcar o seu cunho. Embora algo inconsistente ao longo das 64 páginas, consegue várias pranchas de muita qualidade e, a ideia de alternar o p/b com as cores e os tons sépia, demonstra uma preocupação estética afinada. No entanto, tenho de revelar que me “assustei” um pouco ao ver a colagem que fez ao traço de Alberto Breccia nas páginas iniciais, fazendo-me pensar que poderíamos ter aqui um livro de “colagens”. Mas felizmente isso não acontece.

Como pontos negativos quero salientar aquilo que infelizmente é geralmente relegado para segundo plano em banda desenhada nacional: a legendagem e o design. Quase tanto como o desenho, estes dois aspectos (o design de forma mais directa, e a legendagem mais sub-conscientemente) são factores fundamentais para vender um álbum. Quando o leitor vai a uma livraria folhear livros, não sabe se o argumento é bom, no entanto vai reparar na arte e no objecto que tem em mãos. Ora estes lançamentos têm um design pobre e pouco cativante. Se o argumento e a arte conseguem o objectivo de tirar o peso dos livros históricos; a capa e restante design faz exactamente o oposto. É tudo demasiado sóbrio e sem chama. É que nem sequer uma sinopse na contra-capa tem, ficando-se apenas por ser preenchido com uma cor plana, só para dar o exemplo! A legendagem/balonagem, embora já tenha visto muito pior, também compromete a qualidade global desta edição. De lamentar também, as várias gralhas no texto.

Veredicto final: À já boa pontuação que dei e que poderão ver no cabeçalho desta crítica, poderia ter acrescentado mais um ponto caso houvesse mais afinco no design e legendagem. Seja como for recomendo-o sem hesitações. Os livros podem ser comprados em: http://setimadimensao.com/historias/

Gostavas de participar e dar a tua opinião sobre banda desenhada, cinema, séries de TV, animação ou jogos? Envia um e-mail para [email protected]

Os textos de opinião são de inteira responsabilidade de quem os escreve.