Cinema: Crítica – Insidious: Capítulo 3 (2015)

INSD3_1Sht_PTSaw não só abriu as portas de Hollywood para a dupla de realizador/escritor de James Wan e Leigh Whannell, como as estilhaçou em mil pedaços devido ao êxito gigantesco do eventual franchise que em conjunto com Hostel deu origem a uma das expressões mais repetidas no mercado de terror dos anos seguintes ao lado de found footagetorture porn.

Depois de abandonarem navio após Saw III, Wan e Whannell dedicaram-se a criar em equipa e a solo um crescendo cada vez mais eficaz de filmes de terror que incluiu Dead Silence, Insidious (e sequela) e The Conjuring – não só o primeiro filme de Wan sem um cameo de Jigsaw e sem Leigh Whannell, mas um dos melhores filmes de terror das últimas décadas e até agora, a obra prima de James Wan.

Com as chaves de Furious 7 no bolso de Wan e a confirmação de The Conjuring 2, os demónios ficam completamente a cargo de Leigh Whannell, que faz com este terceiro capítulo a sua estreia como realizador.

Quinn Brenner (Stefanie Scott) é uma jovem adolescente que acredita que a sua falecida mãe a está tentar contactar. Para a ajudar, Quinn procura o talento da psíquica Elise Rainier (Lin Shaye), que a tenta convencer a não procurar a mãe. Elise vê-se então obrigada a ajudar Quinn quando esta começa a ser ameaçada por um demónio…

Com a ausência de Patrick Wilson, Rose Byrne e Barbara Hershey (e com a soma de Dermot Mulroney como pai de Quinn), esta prequela está basicamente nos ombros de Lin Shaye (já imortalizada no grande ecrã pelos irmãos Farrelly) que o filme aproveita para melhor explorar a personagem que vimos nas duas películas anteriores e que recebe aqui uma sequência digna de qualquer um dos nossos piores pesadelos. Suck on that, Poltergeist!

Como nos filmes anteriores o comic relief é nos dado em carne e osso pelo próprio Whannell e por Angus Sampson (e as suas excelentes t-shirts) nos papéis dos investigadores paranormais, Specs e Turner. Dependendo do vosso humor, eles podem retirar parte do ambiente sério ou injectar algum necessário humor. É sempre um balanço muito difícil de acertar em qualquer filme, mas Insidious 3 eventualmente chega lá, são e salvo.

Com um tremendo conjunto de imagens e visuais memoráveis, o filme fabrica uma boa dose de tensão palpável dando-nos um bom conjunto de velhos e bons jump scares – tendo ainda algumas das imagens mais perturbadoras que verão num filme mainstream de terror em todo o ano! (juntem a isto a já habitual e atmosférica partitura de Joseph Bishara).

Leigh Whannell acerta na sua estreia e dá-nos um Insidious que não se leva muito a sério mas que ao mesmo tempo consegue ter alguns dos momentos mais assustadores e divertidos de toda a série. E mais Dermot Mulroney é sempre bom! (frase totalmente com tons heterossexuais).

Não é tão eficaz como o primeiro, mas é uma boa janela de ar fresco depois do segundo filme. Só faltavam aqui uns truques à William Castle para cada vez que saltássemos da cadeira. Talvez no próximo filme, Insidious 4 – The Tingler.

3/5