Diamantes e Ferrugem #1 – McTiernan/Mann

Começo por dizer que gostaria de ter o Cryptkeeper comigo para ter uma introdução decente, mas infelizmente sou só eu a escrever umas míseras palavras com um teclado. De qualquer das maneiras, bem-vindos à primeira edição do Diamantes e Ferrugem – a rubrica em que irei tirar da minha cartola imaginária (o que acaba por ser algo triste e deprimente) alguns filmes que caíram no esquecimento e/ou que mereçam o seu devido reconhecimento.

A divisão é simples. Um filme que me tinha ficado na mente como genuinamente bom e outro como guilty pleasure (obviamente que isto poderá ser lido com um grau alto de subjectividade).
A terceira escolha será uma surpresa. Ou um álbum de hard rock/ heavy metal; ou um vídeojogo; ou um livro (e aqui entram graphic novels ou story arcs específicos) ou ainda outro filme.

Sem mais demoras e como esta é a primeira edição, vamos começar com dois nomes que estão associados a alguns dos melhores filmes de acção de sempre.

John McTiernan e Michael Mann arrancam o primeiro “Diamantes e Ferrugem” !
O BomNomads (John McTiernan, 1986)

nomadsA estreia de John McTiernan na realização coincide com a estreia no grande ecrã de um tal Pierce Brosnan. Ambos se iriam encontrar na década seguinte no remake de The Thomas Crown Affair.
Mas antes de McTiernan conquistar selvas naturais, de cristal e com o Sean Connery, realizou este pequeno filme de terror sobre um antropologista francês, Jean Charles Pommier (Brosnan) que ao se envolver com um misterioso grupo, descobre um terrível segredo que o transformará para sempre.

Por mais firmes que os pés do filme estejam nos anos 80 (o que para mim não está perto de ser um ponto negativo), o talento de McTiernan é óbvio durante os 90 minutos de filme.
Existe aqui um verdadeiro palpitar num mistério repleto de tensão e suspense, com uma brilhante sequência, em especial, que me deixou como um filme de terror não me deixava à muito tempo.
Tudo isto com um certo panaché visual e uma banda sonora de Bill Conti (Rocky) e do grande Ted Nugent.

 O guilty pleasureThe Keep – O Guardador do Mal (Michael Mann, 1983)

thekeepDepois da sua estreia no grande ecrã com o excelente Thief e antes de conquistar o zeitgeist televisivo dos anos 80 com Miami Vice, Mann realizou pelo meio esta adaptação do livro de F. Paul Wilson.

Com um elenco de luxo que inclui Scott Glenn, Ian McKellen, Gabriel Byrne e Jurgen Prochnow e pela segunda (e última vez) uma banda sonora dos Tangerine Dream, Mann conta a história de um grupo de Nazis que encontra uma misteriosa fortaleza numa remota aldeia romena e do demónio, Molasar, que em breve será libertado.

O problema: Simplesmente, o filme é uma confusão.
A causa: O filme não escapou a um outro demónio chamado Tesoura. A versão original apontava para as 3 horas e meia (muito possivelmente apenas uma workprint), mas com a Paramount a apostar no filme como um destaque para o Natal de ’83, acabou por cortar o filme para apenas 90 minutos.
Resultado: Uma distribuição limitada, um flop e um filme extremamente confuso ( ainda estou a tentar perceber o que raio é que o Scott Glenn era, qual a sua motivação e como é que ele conseguiu conquistar a Alberta Watson tão depressa).

É uma daquelas produções fascinantes de um grande realizador que acabaram por ficar esquecidas no tempo, com uma produção complicada e um realizador insatisfeito com o produto final.
Mesmo com a sua resistência em se infiltrar num DVD ou num Blu-Ray, tendo-se ficado apenas pelo VHS, Laserdisc e mais recentemente, plataformas como a Netflix e a Amazon Instant Video, o filme goza de um estatuto de culto que irá culminar num documentário sobre o seu making of.

Apesar de tudo, uma experiência única.

PS: O Bruce Payne tem um pequeno papel no filme. Yay!

 

A surpresa – Diamond Head – Lightining to the Nations (1980)

Diamond-Head-Lightning-To-The-NationsApós ter destronado a primeira vaga de Heavy Metal com bandas como os fundadores Black Sabbath, Deep Purple ou Judas Priest (os três primeiros álbuns), o declínio do Punk nos finais dos anos 70 deu lugar a uma segunda onda de Heavy Metal, com a apropriadamente intitulada NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal) – um termo utilizado pelo lendário Geoff Barton, então-jornalista da revista Sounds.

Apesar de sonicamente diferentes, bandas como os Iron Maiden, Venom, Saxon, Raven, Angel Witch, Def Leppard (pelo menos com a estreia On Through the Night) e Judas Priest (começando no Killing Machine) estavam à frente deste movimento.
Com um ritmo mais frenético e pesado, estas e outras bandas fizeram a ponte entre o Reino Unido e o resto do Mundo, influenciando o próximo passo na forma de Speed e Thrash Metal, principalmente em São Francisco (Metallica e Exodus) e no Canadá (Exciter e Anvil).

Mas o definitivo álbum da NWOBHM veio com os Diamond Head e o seu Lightning to the Nations – lançado na própria label da banda, sem artwork, sem track listing e apenas com as assinaturas dos membros da banda.
Tendo sido considerado apenas ao início como um primeiro passo e não tanto como um álbum definitivo, foi exactamente nisso que se tornou ao chegar às mãos de Lars Ulrich e Dave Mustaine, que rapidamente transformaram os Metallica num máquina de covers dos Diamond Head.

Não vou falar muito do álbum em si (a música consegue falar por ela própria), mas posso dizer que é um álbum de “all killer no filler”, em que todas as músicas têm algo de memorável. Sejam os vocais claramente inspirados em Robert Plant de Sean Harris ou a guitarra electrizante de Brian Tatler, que consegue na “Am I Evil?” um dos melhores e mais memoráveis riffs na história de todo o Hard Rock/ Heavy Metal.

“Am I Evil?/ Yes I am!”

Até à próxima!