A revista Simpsons portuguesa, está perto do fim?

simpsons capa_rEm Abril, a revista Simpsons Comics fará um ano de publicações mensais nas bancas portuguesas, mas chegará a comemorar o 2º aniversário?

A verdade é que a revista tem vindo a perder qualidade e a identidade que tinha no início. Se não vejamos: A revista #1 teve uma tiragem de 20 mil exemplares, que passou para 16 mil no segundo número. Até aqui, tudo normal. A Goody quis marcar posição com uma grande presença inicial nas bancas com a ajuda de uma “cartolina” que fez ganhar ainda mais destaque e com revistas em todo o lado.
Ainda de destacar que, no segundo número, incluiu uma secção de correio de leitores.
Para a #3, baixou mais 1000 exemplares, numa clara adaptação às vendas reais.

O verdadeiro alerta que algo não vai bem começa na revista 8. A editora começou a publicar histórias curtas da revista original, Bart Simpson Comics, em detrimento Simpsons nº3às deliciosas segundas histórias da revista principal, que focam personagens secundárias deste universo. Provavelmente, uma jogada a tentar agradar a mais publico visto que Bart é talvez a personagem favorita dos portugueses (?). É neste número que deixa de haver a secção de correio de leitores. De repente os portugueses deixaram de enviar mensagens, ou a secção dá muito mais trabalho do que escarrapachar uma história dos Itchy & Scratchy? Eu aposto na segunda hipótese. Surge aqui também, pela segunda vez, uma história em que as personagens estão verdes! (A primeira foi em Simpsons Comics #5). A gráfica não é assim muito boa, pois não?

Pela nona revista, a tiragem cai de novo, agora para os 11 mil exemplares, e temos mais Simpsons verdes.

Ao décimo número tivemos a definitiva prova que a revista não está bem, com o decréscimo do papel interior, para um de qualidade inferior às revistas Disney!! Diria mesmo, a roçar o papel de jornal. E claro, mais bonecos com problemas de pigmentação em que em metade da revista voltam a aparecer verdes! Mas há mais! A revista perdeu um caderno de 8 páginas, passando de 66 para 58 páginas (mais a capa), num claro sinal de que é preciso cortar o máximo nos custos, para ver se se aguenta!

pack4-simpsonsEntretanto apareceu algo que me alarmou ainda mais. O Pack das 4 primeiras revistas por apenas 4,99€! Toda a gente a sabe que se quando começam com estas promoções, é porque as coisas vão mal! Penso que este produto foi colocado à venda em meados de Fevereiro, mas poderá ter sido antes. No entanto, o pack continua espalhado por todo o lado, como poderão ver na foto aqui ao lado, retirado da página de Facebook Os Simpsons – Portugal.

Mas é a revista deste mês que me faz mesmo confusão. Todos os problemas da edição anterior se mantêm, mas agora até o papel da capa sofreu alterações, contendo uma elevada quantidade de grão, que a faz parecer estar envolta em farinha. Não consigo evitar de esfregar as pontas dos dedos após ter tocado nela, pois dá sempre a sensação que ficamos com pequenas partículas agarradas à pele. A única “boa” notícia (e reparem que escrevi “boa” com aspas), é que só temos uma história de apenas 5 páginas com as personagens cor de “verde vómito”. Mas a nível de conteúdos é a pior de sempre. Deixámos agora de ter as histórias das personagens secundárias, para ter duas curtas, saída da Bart Simpson Comics (nomeadamente da #2 e da #64). E o que podemos ler nas 4 histórias? Bart Simpson numa viagem de estudo, Bart Simpson a ser uma criança exemplar durante um dia, Bart Simpson numa troca de identidade com uma estrela pop pré-adolescente e Bart Simpson clonado 25 vezes. Bart, Bart, Bart, Bart, Bart, Bart… ich, já cansa não?

Simpsons #11Veremos o que o próximo número nos trará, mas infelizmente não acredito que ela se aguentará até ao final deste ano. Antes de me despedir, não quero que fiquem a pensar que escrevi este artigo para o mal da revista. Pelo contrário, adoro os Simpsons e esta é sem dúvida a minha publicação actual favorita da Goody e queria que ela continuasse por muitos e bons anos, mesmo que com bonecos verdes e papel de fraca qualidade, embora preferisse dar 3€ por mês, em vez dos actuais 2,5€ para que a qualidade das primeiras edições se mantivesse.
Este meu texto é apenas um grito de revolta e desabafo que faço, esperando que alguém da editora portuguesa me leia e que reflita um pouco sobre isto.
Pois após os cancelamentos das excelentes BGamer e Empire, tenho muito medo…

Até à próxima.
D’oh!
Dário Mendes

Imagens gentilmente cedidadas pela editora Goody