Cinema – Crítica: Big Hero 6 – Os Novos Heróis (2014)

Os tempos nem sempre foram áureos para a Walt Disney Animation, particularmente no período entre 2000 e 2006, com vários filmes a terem resultados medíocres nas bilheteiras e várias sequelas baratas a inundarem o mercado de vídeo.

O estúdio pôs um fim à animação tradicional e tentou criar a sua própria Pixar-lite com a Circle 7 Animation.
O resultado? A Pixar voltou, John Lasseter assumiu os controlos da divisão de animação e a Disney partiu para as corridas.
Depois do sucesso de Tangled, Wreck-it Ralph! e do gigantesco Frozen, chega-nos então Big Hero 6 – a primeira adaptação de animação de uma propriedade da Marvel que, por sua vez, é agora propriedade da própria Disney.

Com algumas mudanças em relação à equipa dos comics, a história segue Hiro Hamada (voz original de Ryan Potter), um prodígio da robótica, e as suas aventuras com Baymax (Scott Adsit) – uma invenção original do seu irmão Tadashi (Daniel Henney), que se juntam a um grupo de amigos para formar os Big Hero 6.

Poster Big Hero 6A Pixar escolheu, propositadamente, uma equipa obscura para ter mais alguma liberdade e criatividade. Pelo resultado final, posso dizer que Big Hero 6 resulta e que continua a run brilhante da divisão de animação da Disney, que conseguiu trazer a divisão de volta dos mortos.

É injusto criticar o elenco original quando ouvi a versão dobrada, portanto poupemos tempo a si, caro leitor, e antes de prosseguir, deixo aqui a nota que o elenco inclui ainda as vozes do comediante T.J Miller, Damon Wayans Jr, Jamie Chung, Genésis Rodriguez, do veterano James Cromwell e de um ex-tripulante da Serenity, Alan Tudyk.

A relação entre Hiro e Baymax não só toca em todos os pontos dramáticos certos, como é hilariante ao mesmo tempo (ri-me que nem “um Seth Rogen” ao ver o filme) e Baymax saiu-se com algumas das melhores linhas de diálogo de algum filme este ano.
E o vilão mascarado, Yokai, poderia ter saído de um bom filme de terror. É verdadeiramente assustador e sombrio e promete provocar pesadelos em algumas jovens mentes por esse planeta fora (perguntem ao velho Freddy Kruger e vão ver que não é uma coisa má).

O Lobo Mau - Homem-Aranha PelucheTodas estas personagens servem uma história intrigante e interessante, e os realizadores Don Hall e Chris Williams enchem o filme de empolgantes sequências de ação e momentos dramáticos daqueles de levar a lágrima ao canto do olho. Um win-win para miúdos, graúdos e adultos.

A cereja no topo do bolo-rei é o banquete de cores e animação top notch, com iluminação impressionante cortesia do novo software da Disney – Hyperion, que se revela aqui verdadeiramente impressionante.

Arrisco-me a dizer que 2014 foi um dos melhores anos para a Marvel. Primeiro, o excelente Guardians of the Galaxy e agora este excitante, divertido, emociante e inteligente filme da Walt Disney Animation Studios. Dois filmes da Marvel no top 5 de melhores filmes do ano? É bem provável!

Baymax: “Numa escala de 0 a 5, como classificarias o meu filme?”

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Tiago Laranjo