Eventos: A Visão de não-gamer sobre o Lisboa Games Week

Lisboa Games WeekTive a oportunidade de, no passado fim-de-semana, visitar a estreante Lisboa Games Week (na FIL) – Feira dedicada aos videojogos, e o AmadoraBD.

Como refere o título deste artigo, não pretendo entrar em grandes detalhes sobre o evento, até porque estive pouco tempo no recinto, e por isso não seria justo da minha parte atribuir uma grande importância à minha opinião.

Depois do almoço dirigi-me então ao Lisboa Games Week, onde se encontrava um grupo razoável de pessoas na fila para os bilhetes.

No que à feira diz respeito, propriamente dita, confesso que esperava um pouco mais de conteúdo e variedade em termos de expositores. Quando entrei no pavilhão, com 10.000 m2, não percebi também o porquê de existirem corredores e espaçamentos tão largos entre stands. Ao sair do evento, no entanto, por volta das 16h, dei “razão “ à organização, ao aperceber-me que assim tinha de ser, para se poder receber tanto público.

Lisboa Games WeekAlgo de que não gosto na FIL é que os pavilhões sejam todos separados uns dos outros (ao contrário do que acontece, por exemplo, na Exponor, em Matosinhos – em que estes são pegados, ou têm separadores cobertos e galerias laterais que percorrem todos eles). Caso a feira ocupasse mais do que um pavilhão, tinha de se ir ao exterior para entrar no outro. Era precisamente numa dessas áreas exteriores que se encontrava a grande zona da restauração da LGW. Apesar do tempo estar desagradável, como o espaço é coberto não se apanha chuva, tendo-se esta revelado uma boa ideia. No entanto, dentro do pavilhão, havia ainda 3 locais onde se podia comprar comida – um stand de bolos, com tudo a 1€, outro com 1001 variedades de “bombocas” e outras doçarias, e ainda uma pequena banca de Ramen. Não entendi por que razão se encontravam ao meio do pavilhão – para ocupar um pouco o espaço, talvez. Na minha opinião, talvez pudessem antes ter aumentado a “plateia” que servia o grande palco dos torneios principais do evento (podem ver imagem à direita), pois o espaço até se tornava pequeno para tanta afluência de público, ou dar mais área aos developers nacionais que, para ser franco, mal vi. Estariam remetidos a uma pequena área com pouca visibilidade? Mas que eles andavam lá, andavam…

O que me causou mais confusão, e peço perdão pela mesquinhice, foi o facto de haver muitas zonas sem alcatifa. Trata-se apenas de algo estético, mas refiro-me a pisos de cimento, esburacados, com marcas, fendas, sulcos, etc., de anos e anos de exposições com montagens e desmontagens de stands, alguns de elevada complexidade e que têm de ter fortes fixações, e do desgaste dos milhões de pessoas que já por lá passaram. E isso dava um ar muito desgastado à feira. Bem sei que alcatifar uma área desta dimensão é dispendioso, mas sendo a LGW um evento de referência, esperemos, não se pode descurar um aspecto que é, quanto a mim, bastante importante.

Pareceu-me também que, ao contrario da Sony e Microsoft, a Nintendo não estaria representada directamente (apenas indirectamente através de distribuidoras de jogos, como por exemplo a Upload), o que achei estranho e me leva a questionar qual teria sido o motivo para tal.

Pela positiva, a minha grande surpresa ao verificar que se podia ver e experimentar jogos que ainda não estão no mercado. Foi aqui que a LGW ganhou pontos, e muitos. Foram vários os jogos, mas o que me ficou mais na retina foi o Mortal Kombat X (o primeiro, que já tem mais de 20 anos, foi seguramente o jogo de “pancadaria” que mais gastei moedas nas “malditas” arcadas) e o sangrento The Evil Within – para se entrar neste espaço tínhamos de passar por dois carniceiros com aventais tingidos de vermelho e armas pouco simpáticas nas mãos, e ainda um corredor repleto de cadáveres dependurados.

Como sou um nostálgico, a minha zona preferida foi a dedicada aos flippers (ou pinball, como preferirem). Estavam lá verdadeiras pérolas deste entretenimento, como aquelas dedicadas ao Demolition Man, Doctor Who e ainda Star Trek Next Generation. No entanto, sofreu as consequências de estar logo ao lado da possibilidade de ver batalhas de TRON em realidade virtual, e cuja longa fila prejudicava o acesso às “mesas das bolinhas”.

Os youtubers no Lisboa Games WeekE deixem-me desabafar: se há coisa que não entendo é o fenómeno dos gaming youtubers (desconheço se é este o termo correcto). Porque é que as pessoas gostam de ver outras pessoas a dizer “uns disparates” enquanto jogam? Eu, quando partilhava o Amiga com amigos, não via era a hora de ser a minha vez, e olhem que estávamos sempre na brincadeira (não é como agora, em que cada um tem o seu PC e enfiam os auscultadores na cabeça, alienando-se de tudo o resto). Por isso, fiquei parvamente de boca aberta a ver a enorme fila de jovens (e alguns não tão jovens) que esperavam a sua vez para poder pedir um autógrafo ou tirar uma foto com um youtuber. (Nota: Existe um jovem de 25 anos sueco, PewDiePie que já conta com mais de 32 milhões de seguidores no Youtube!)

Como referi em cima, saí do evento a meio da tarde, com o pavilhão cheio de público, e cá fora uma fila na bilheteira com dezenas de metros!

A Lisboa Games Week não foi a feira perfeita, mas tem muito potencial para crescer e, quem sabe, tornar-se uma das mais relevantes da Europa. Pelo menos pareceu-me ter público suficiente para tal.

Texto: Dário Mendes
Fotos e vídeo: Hugo Jesus

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