Cinema – Crítica: Guardiões da Galáxia (2014)

Poucas pessoas podem mostrar um currículo tão estranho e curioso como o de James Gunn. Antes de ser confirmado pela Marvel para assinar o filme que fecharia a segunda fase do Marvel Cinematic Universe, este mesmo Guardiões da Galáxia, baseado na equipa de 2008 criada por Dan Abnett e Andy Lanning, Gunn já tinha escrito coisas como Tromeo & Julliet para a Troma, a sua própria comédia de super-heróis com The Specials, os dois (talvez injustamente odiados) Scooby Doo, o remake de Dawn of the Dead para Zack Snyder e o videojogo Lollipop Chainsaw, realizando ainda o excelente Slither, Super e infelizmente, um dos segmentos do Movie 43.

Mas por que via láctea é que eu acabei de resumir a sua página do IMDb em 1 parágrafo? Porque todos os elementos da sua filmografia são radicalmente diferentes uns de os outros, cada um deles é um Star-Lord (Chris Pratt), um Drax (Dave Bautista), uma Gamora (Zoe Saldana), um Rocket (Bradley Cooper) e um Groot (Vin Diesel). E é esta a equipa que se vai meter nos planos de Ronan (Lee Pace) e da sua busca pelo Orb, que como podem calcular tem o poder de destruir a galáxia e é uma das Jóias do Infinito.

Ainda que a história não seja a mais original e se perca por vezes em algum tecnho babble, ela é muito mais do que a soma das suas partes e simplesmente tudo acaba por funcionar às mil maravilhas. Talvez ajude que o filme tenha alguns gags hilariantes e que o argumento seja divertido como tudo e que esteja parsecs à frente de tantos outros. Tudo corresponde á receita de como fazer uma boa space opera como o velho Lucas uma vez nos mostrou…

Ao contrário dos comics de 2008 não temos, por enquanto, sinal algum de Adam Warlock ou de Phyla-Vell e o filme decide tomar o seu tempo para introduzir as personagens, em vez de dá-las como conhecidas. E adivinhem só…não podíamos ter pedido um elenco melhor do que este.

Chris Pratt é perfeitamente sarcástico como Star-Lord e está-se a transformar numa autêntica movie star (esperem até ao Jurassic World), Zoe Saldana continua a sua carreira com (literalmente) papéis coloridos e as vozes de Bradley Cooper e Vin Diesel dão às suas personagens uma camada extra de personalidade, humor e emoção (a Marvel tem um sério negócio de merchandising com a frase “I am Groot!”).
Mas a verdadeira surpresa vai para Dave Bautista (apenas Batista para fãs da WWE) como Drax. Não só é a sua primeira vez num filme de grande orçamento, mas a sua primeira vez com uma personagem com mais algum sumo (depois de ter chegado às salas via The Man with the Iron Fists e Riddick) e ele absorve cada gota quando está no ecrã, provando que não está no filme apenas como os músculos de Drax.

E este é só o elenco principal! O elenco secundário tem ainda Glenn Close, John C. Reilly, Djimon Hounsou, Benicio Del Toro e alguns Gunnianos da Galáxia como Michael Rooker e Clark Gregg (e este é só o elenco secundário! Tenham atenção aos cameos!).
E assim viajamos nós por este fantástico Universo, ao som da Awesome Mix Vol.1 (uma compilação de tunes dos velhos 70 completa com Rupert Holmes e a sua Piña Colada Song) enquanto James Gunn e a sua equipa enchem o ecrã com uma energia palpável e um entusiasmo contagiante com alguns dos melhores efeitos visuais deste ou de qualquer outro Verão, fazendo ainda uma vénia para os excelentes make-up effects presentes durante todo o filme.

Marvel's Guardians Of The Galaxy

A escolha da Marvel de realizadores como James Gunn e o entretanto desaparecido Edgar Wright prova que antes de todos os filmes da Marvel terem que encaixar uns nos outros como parte do Marvel Cinematic Universe, precisam de ter uma identidade própria e apenas vozes únicas e geeky como a de James Gunn o podem fazer.

O próprio Gunn disse que se inspirou em filmes como Raiders of the Lost Ark, Star Wars e Back to the Future e este filme fez-me sentir como uma criança de 10 anos outra vez, tal e qual como esses filmes.

Não consigo dar outro elogio mais positivo que este. Nem mesmo ao dizer que este é o melhor filme da Marvel de sempre (desculpa Man Thing).

starz

Tiago Laranjo

PS: Ser o melhor filme da Marvel inclui ter a melhor cena pós-créditos de um filme da Marvel. Foram avisados.