Esclarecimento sobre “comic-con”s e outros eventos

Há alguns meses que andava a adiar uma publicação – ora por falta de tempo, ora por falta de tema, ora pelo facto de o timing não ser o mais apropriado; geralmente pela mescla de dois destes factores, ou pela soma dos três.

Finalmente, deu-se uma conjugação de situações que se uniram para que conseguisse exprimir-me e trazer a público algumas considerações pertinentes.

Central Comics Fest

Foto de Francisco Martins

Nos últimos tempos (talvez nos últimos dois anos), tenho vindo a exercer uma postura mais discreta na Internet. Tento (e destaco: tento) não me envolver demasiado em comentários, não responder a provocações directas à minha pessoa ou trabalho, não me envolver em intrigas, etc..

Quando a nossa própria actividade profissional passa por fazemos algo que é de conhecimento público, como no meu caso – através da organização de eventos de cultura pop, por exemplo – e nos expomos a muita gente, estamos sempre sujeitos a críticas, bem como a pessoas que não gostam de nós. Eu não sou uma figura pública (felizmente), mas façam lá um exercício comigo: quem não tem um actor/actriz, músico(a), apresentador(a) de TV, que detesta, por este ou aquele motivo (porque o(a) acham irritante, ou simplesmente “porque não”)? Todos nós temos um “ódio de estimação”. Passando agora para o mundo da Banda Desenhada em Portugal, ou para o da organização de eventos dentro da temática, reduzimos bastante a escala, mas esta questão também se põe.

Central Comics Fest

Foto de Francisco Martins

No entanto, uma coisa é ter a liberdade para afirmar “não me interesso pela pessoa” ou “a pessoa irrita-me”, outra é avançar com mentiras, difamações e calúnias – e é exactamente deste último caso que tenho vindo a ser alvo nos últimos meses.

Portanto, se o objectivo primário deste texto era apenas enumerar algumas das dificuldades, o que me move e o que me faz continuar a organizar eventos (claramente para minorias, numa cidade/região tão complicada como é o Porto), tenho, antes de mais, a necessidade de efectuar um esclarecimento bem mais pertinente de momento.

Começo por esclarecer que não estou interessado em mostrar serviço só porque sim.
O Troféus Central Comics, por exemplo, não foi criado para eu ter o protagonismo. Bem pelo contrário, os protagonistas são todos os nomeados e vencedores. Eu sou apenas a “sombra” por detrás da gestão do evento. Não tenho nenhum outro interesse pessoal a não ser a divulgação e a consagração da banda desenhada em Portugal.

Relativamente ao portal de informação Central Comics, já não busco o exclusivo, ou o “a notícia em primeira mão” para o site. Quando isso ainda acontece, foi porque se deu a oportunidade para tal e não porque a procurei. Pretendo, isso sim, divulgar o máximo daquilo que consigo no tempo que posso dispensar para o efeito. Neste último ano, tenho vindo a desenvolver uma actividade profissional em nada relacionada com a de gestão/organização de eventos, e em nada relacionada com a legendagem ou outros ofícios ligados à banda desenhada, o que não me permite fazer tudo aquilo a que me propunha em ocasiões anteriores e, por isso, tenho tido uma ajuda preciosa na colocação de artigos no site e na manutenção do mesmo, principalmente desde Outubro de 2013, com uma boa dose de publicações semanais. Aqui ficam os meus agradecimentos sinceros a Nelson Vidal, pois sem ele, o Portal não teria a actividade que ainda mantém.

Ana Santos - 1º Lugar do Eurocosplay do Central Comics Fest

Foto de Hélder Archer

Para além de ter legendado muitas obras nestes últimos anos, tenho vindo a ajudar pessoas e entidades a fazer um trabalho melhor, e não me tenho vangloriado por isso. Não é do meu feitio, não tenho essa preocupação, não me interessa. Não faço questão de associar o meu nome a trabalhos só para “somar número”, nem de tornar público tudo aquilo que faço. Apenas pretendo fazer aquilo que quero e gosto de fazer – e quem não aprecia, que não me incomode. Não peço muito.

Afirmo aqui publicamente que fui contactado, ainda em 2013, pela CITY – Conventions in the Yard – para conversações sobre o evento a ter lugar em Dezembro de 2014, na Exponor, de seu nome Comic Con Portugal. Fui convidado então por esta entidade a prestar os meus conhecimentos à realização do evento. Seria ainda o Portal Central Comics um parceiro privilegiado para a divulgação e promoção do mesmo.

Foi assinado um contrato, entre ambas as partes, em Janeiro deste ano, tendo sido rescindido em Junho deste mesmo ano, por mútuo acordo e por variadas razões.

Ao surgirem as primeiras notícias acerca do evento Comic Con Portugal, nomeadamente em redes sociais e sites de informação, de renome, foi presumido, por alguns grupos de pessoas, que a convenção seria apenas uma evolução dos eventos Central Comics organizados por mim, Hugo Jesus – o que não correspondia à verdade, mas, apesar de provir de uma minoria, esta “desinformação” chegou aos ouvidos de muitas entidades relevantes e interessadas em participar no Comic Con Portugal, colocando em causa a sua verdadeira origem e intenção. O Comic Con Portugal é um evento independente, sem qualquer ligação aos eventos que organizei a nível pessoal anteriormente. Aliás, tinha até sido acordado, em Janeiro, que em virtude da colaboração, o evento Central Comics-Con (que teve lugar em 13 e 14 de Julho de 2013, no Hard Club – Porto) fosse extinto, ficando eu a trabalhar em exclusivo para o Comic Con Portugal. Todas as minhas energias estariam, assim, canalizadas para aquele que pretende tornar-se o maior evento do género em Portugal.

Devido à confusão entre eventos e organizadores, por mútuo acordo foi aberta a excepção para a realização de mais um evento “Central Comics”, que ganhou o nome de Central Comics Fest (e teve lugar a 12 de Julho deste ano, no Hard Club – Porto), com a intenção não só de demarcar a diferença entre os nossos dois eventos/entidades, bem como dissociar o público de qualquer confusão, e tentar efectuar a prova de que o Comic Con Portugal não era um evento meu – ajudando ainda, para tal, a mudança de “Con” para “Fest”.

Houve algumas condicionantes à realização do Central Comics Fest. Em primeiro lugar, a decisão que levou à sua idealização teve lugar muito perto da data em que se realizou efectivamente (12 de Julho). Acresce anda o facto de, devido à minha actividade profissional, não me ter sido possível trabalhar para o evento em horário laboral – sendo que possuía apenas algumas horas semanais para o fazer, e sempre a horas tardias. O Central Comics Fest seria também, propositadamente, pensado para ser mais “pequeno” do que os meus anteriores eventos, sendo que, por isso, estava a reservar tudo aquilo de melhor (excepções feitas ao Eurocosplay e ao Troféus Central Comics, por motivos de data) para o Comic Con Portugal.

Central Comics Fest

Foto de Paulo Praça

O Central Comics Fest esteve, por este motivo, sujeito a algumas consequências – o evento teve lugar apenas num dia, foi realizado numa área inferior ao que já havíamos habituado o nosso público no Hard Club e foi também preparado num curto espaço de tempo, por diversos motivos pessoais. Para além disto, desejo esclarecer também que a falta de um bar onde fosse servida comida se deveu à pequena dimensão desta convenção, bem como ao acordo com o Hard-Club – em que não obtivemos, desta vez, a permissão para gerir o nosso próprio bar.

Apesar de entretanto terem surgido comentários em contrário, prejudiciais ao meu trabalho e bom nome, tenho todas as provas documentadas relativamente a este caso em minha posse e de quem de direito. Não tenho absolutamente nenhum interesse em divulgar mais pormenores sobre este assunto, pois é do foro privado para todos os intervenientes. No entanto, quero deixar esta posição bem clara: sim, trabalhei conjuntamente com a organização do Comic Con Portugal entre Janeiro e Junho de 2014.

Como síntese adicional, algumas considerações.

Para além do Yukimeet (apresentei no Porto duas das suas três edições: uma na Casa da Animação e outra na Associação A Cadeira de Van Gogh) e de alguns eventos próprios mais pequenos organizados na minha loja (como os X-Press), o primeiro evento de maior envergadura e afluência que organizei (e que fez remexer “muita coisa”) foi o Anigamix, que teve lugar na Exponor, em 2011. Este foi o início de uma ruptura em relação ao paradigma dos eventos relacionados com a cultura japonesa, tendo sido já um evento mais abrangente. Apesar do sucesso, não houve seguimento do evento por falta de interesse comum na organização conjunta do mesmo. O nome havia sido sugerido pela Exponor – a ideia era reunir no mesmo espaço a animação (ANI), o gaming (GA), e a mistura das restantes culturas pop (MIX). Assim sendo, de forma a não alimentar discórdias com a Exponor, achei por bem não dar continuidade ao nome.

Anigamix

Foto de Hugo Jesus

Seguiu-se então uma parceria com o Hard Club, que deu origem a duas bem-sucedidas edições do evento Portusaki, em 2012. O primeiro evento foi pensado, divulgado e organizado no espaço de um mês. Como as actividades de cultura japonesa são mais fáceis de produzir, aqui voltei a um modelo de evento com fortes raízes nipónicas. Da normal dificuldade para atribuir um nome ao evento, surgiu a ideia pelo facto da cidade de Nagasaki ser geminada com o Porto – surgiu o nome “orelhudo” de “Portusaki”.

Da necessidade e desejo de voltar um pouco às minhas “origens”, surgiu a vontade de trazer ao público um evento mais voltado para os comics, cinema e cultura pop em geral. Isto foi conseguido com o segundo Portusaki, com a sua programação variada; no entanto o nome suscitava, ainda assim, alguma confusão junto da comunicação social e do público, de tal modo que todos os meus comunicados, explicações e entrevistas não resolveram a questão – a ideia generalizada continuava a ser a de uma convenção de animação e cultura japonesa.

Os eventos com a inclusão de “Central Comics” no nome surgiram então da ideia que, no fundo, esteve sempre bem ao meu alcance. Se co-criei e giro um Portal (desde 2001) de informação com este nome, porque não o associar também a uma convenção? O Central Comics-Con teve lugar em 2013, no Hard Club, com uma rica programação, apesar do baixo orçamento.

A mudança de Central Comics-Con para Central Comics Fest foi já explicada neste texto.

Portusaki 2

Foto de Andreia Alves

Tenho orgulho em todos os eventos que apresentei ao público e nunca escondo que sou eu por detrás da organização dos todos eles. Os meus eventos são levados a cabo com orçamentos reduzidos, quando comparados com muitos outros que se vão fazendo por esse país fora. Tenho também de lutar com as dificuldades inerentes ao facto de esta ser uma cidade menos “aberta” do que Lisboa, por exemplo, com menos público-alvo do que a capital. As dificuldades de programação agravam-se ainda quando grande parte dos artistas reside/trabalha em Lisboa. Estes, muitas vezes devido ao seu trabalho, não podem facilmente fazer longas deslocações, já para não falar dos custos que isso acarreta.

No entanto, se um evento tem casa cheia, público agradado e é lucrativo, pode ser considerado um caso de sucesso – o que se pode dizer todos os meus eventos, felizmente. É para isso que trabalho: para fazer crescer os meus eventos, poder fazê-los ser mais e melhor, aperfeiçoá-los e aprender com eles, agradar ao público.

Desejo finalizar esclarecendo que, por muito que tentem fazer essa implicação, os meus eventos não estão em competição com outros. É inevitável que o público faça comparações, mas eu não luto contra ninguém. Apenas quero dar o melhor dentro daquilo que pretendo fazer.

Aproveito para deixar aqui uma mensagem de grande estima e agradecimento a todos os meus colaboradores e voluntários ao longo destes anos.

Hugo Jesus