Cinema: Crítica – Rio 2 (2014)

rio 2 - posterSe existe algo em que eu estou de pé atrás, mais do que problemas mundiais, questões políticas ou o último Die Hard, é sem dúvida a minha relação com pássaros. Muitas vezes assustadores, enigmáticos e nunca dispostos a revelar as suas verdadeiras intenções, olham para mim como se eu fosse o Charlton Heston em pleno Planet of the Apes.
Mas o meu cepticismo dispara quando encontro alguns com vozes. Especialmente araras azuis com a voz do Jesse Eisenberg.

E é essa a voz que voltamos a encontrar em Rio 2, a sequela ao filme de 2011 (que eu ainda não consegui perdoar a 100% por ter levado ao cancelamento de Newt da Pixar) que contou as aventuras de Blu (Jesse Eisenberg), o nosso domesticado amigo azul na sua primeira visita ao Rio de Janeiro numa missão de evitar a extinção da sua própria espécie.

Obviamente com sucesso, Blu regressa agora com Jewel (novamente Anne Hathaway) e os seus três filhos para uma viagem até à Amazónia, onde acabam por encontrar o resto da família de Jewel e algo pior…uma forçada mensagem ambientalista.
O casal azul encontrou as vozes perfeitas na dupla Eisenberg/Hathaway, assim como Linda e Tulio com as vozes de Leslie Mann e Rodrigo Santoro (embora estejam um pouco perdidos nesta sequela) mas tal como no primeiro filme Nico (Jamie Foxx) e Pedro (will.i.am) roubam algum oxigénio ao filme que é recuperado regularmente com Nigel (Jemaine Clemant), o seu papa-formigas e um conjunto hilariante de audições no coração da Amazónia.

Vejam aqui um clip do filme:

A primeira aventura de Blu não foi perfeita, nem foi o melhor trabalho da Blue Sky Studios (os meus botões dizem-me que fizeram o Robôs e a melhor adaptação para o grande ecrã de uma obra do Dr.Seuss), mas conseguiu apresentar uma história relativamente original por caminhos familiares com heróis vibrantes, um vilão genial no pássaro Nigel, detalhes coloridos e um simpático sentido de diversão (ainda assim com os temíveis números musicais habituais).

Aqui o pássaro canta de outra maneira (infelizmente continuam a cantar em números musicais) e as penas de originalidade do primeiro filme são substituídas pela clássica fórmula vinda directamente de Adivinha Quem Vem Jantar? composta por pai autoritário (Andy Garcia), um pretendente não aceite e ainda o tradicional velho amor (Bruno Mars – (num papel que obviamente deveria ter ido para o capitão Zapp Brannigan).

Mas tal como na Idade do Gelo (com Scrat) ou no primeiro Rio, são os maravilhosos sight-gags que acabam por eclipsar as personagens principais (e eu admito, o filme conseguiu arrancar de mim algumas gargalhadas).

Trailer:

Infelizmente, o filme decide partilhar o papel de vilão entre o hilariante Nigel e uma das criaturas mais temíveis de sempre – o ser humano – que está pronto para destruir mais um pedaço de floresta.
E é aqui que a tal mensagem verde e forçada entra no filme.
Embora não sendo tão forte como em FernGully ou nas aventuras do Captain Planet, esta mensagem tem assistido a uma ressurgência desde que James Cameron decidiu contar uma pequena história ao mundo inteiro. O problema: raramente funciona.

O realizador Carlos Saldanha volta a injectar alguma da energia característica do Rio de Janeiro, a animação é colorida, o elenco na maior parte é impecável, mas a maior parte da originalidade fugiu pela gaiola fora e Rio 2 conta uma história cansada e já com pouca água para beber, embora com alguns gags verdadeiramente geniais.

Mas enfim, mais vale um pássaro na mão que dois a voar (quantas mais referências a pássaros poderei eu fazer?).

starz

 

Tiago Laranjo