BD: Crítica – Justice League #23.2 Lobo

Começo por dizer que nunca li uma revista do LOBO por isso, foi com alguma expectativa que li a revista  JUSTICE LEAGUE #23.2: LOBO do evento Forever Evil da DC. Quem tem acompanhado as notícias das últimas semanas aqui no Central Comics sabe que a DC tem estado debaixo de fogo.  

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Como se não bastasse toda a controvérsia relacionada com a revista Batwoman, houve mais uma polémica gerada com a nova versão do Lobo, versão NEW DC Universe (NDCU), com muitos fãs de LOBO a dizer cobras e lagartos da DC, argumentando que esta editora, mais uma vez, tomou decisões erradas e que apenas pretende criar artimanhas que levem ao aumento das vendas.

Mais uma vez falou-se da pouca importância dada às personagens, da forma como a editora trata os leitores fieis, da falta de respeito pela extensa biografia e pelas muitas histórias que apaixonaram tantos leitores e consequentemente os levaram a investir nas revistas que foram sendo lançadas ao longo dos anos.

Num mundo em que o café da rua deu lugar ao Facebook, Twiter, tumblr e outras redes sociais, cada um pode dar a sua opinião e nota-se que (como sempre) falar mal é melhor que falar bem.

A título de curiosidade, sabe-se que 1 pessoa insatisfeita com um produto queixa-se, em média a 7 pessoas (fazendo publicidade negativa) enquanto que uma pessoa satisfeita apenas fala positivamente desse produto a 3 pessoas – facilmente se percebe que falar mal é o “normal” –  para que não se diga que eu só escrevo disparates: acho que podemos todos pensar um pouco no que acabei de escrever (ou então passar à frente e ir ler outra coisa) 🙂

 

Voltando às reacções à JUSTICE LEAGUE #23.2: LOBO nota-se que muita gente devia ter mais calma, relaxar e ouvir uma música zen antes de começar a disparar a torto e a direito.

Não é que me desagrade ver que as reacções iniciais foram manifestamente exageradas. Até acho bom, principalmente porque foram precipitadas e baseadas em premissas erradas que não se comprovaram na revista deste mês (dando-me assim, mais um motivo para escrever sobre esta revista) 🙂

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  • No entanto, no meio de toda esta situação não podemos deixar de culpar a DC e a mecânica do mercado de comics americanos. Parte destas polémicas devem-se ao facto de as sinopses dos comics serem conhecidas com muita antecedência, incluindo as capas e também devido à necessidade de as editoras fazerem marketing, dando a conhecer pequenas partes das histórias e algumas imagens das revistas que querem vender.
  • E talvez se possa dizer que o departamento de marketing da DC acha que não interessa se falam bem ou mal, o que interessa é que falem.

Mas voltando à revista JUSTICE LEAGUE #23.2: LOBO.

Não sendo eu fã de Lobo, vou correr o risco (moderado) de afirmar que não existem motivos para tanta indignação.

É claro que estamos no novo universo da DC, pós Setembro de 2011 e naturalmente iriam existir diferenças, mas não é isso que sobressai nesta revista.

Marguerite Bennett (a escritora) conta a história de um contrabandista sem escrúpulos, que tem em mãos um trabalho que executa na integra (não vou dar os detalhes, mas posso dizer que a atitude deste contrabandista  é bastante desprezível). No fim de terminar esse trabalho, percebemos que foi dado o pontapé de saída para algo que vai ter que ser desenvolvido nos próximos meses – desconfio que está para breve o anúncio de uma nova ongoing com esta personagem.

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(Primeiras 3 paginas da revista JUSTICE LEAGUE #23.2: LOBO)

A revista tem vários pontos positivos:

  1. define o carácter da personagem
  2. abre o caminho para novas histórias

Faz isto, com uma história bem escrita e bem pensada, com uma sucessão de acontecimentos que ajudam a construir a personagem e com mais alguns apontamentos interessantes. Gostei particularmente de um certo jogo de expectativas que se notava no discurso do Lobo – ao longo das 22 páginas lemos várias vezes o Lobo dizer: Sorry (numa janela de texto) e Not Sorry (noutra janela de texto).

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Ele tomou sempre decisões com as quais nenhum de nos pode concordar. Mas é interessante ver a forma como a autora joga com isso. Afinal de contas, a maior parte das histórias que lemos são de personagens que tomam “as decisões corretas e boas”.

Não é comum sermos colocados perante uma situação em que a personagem principal entrega uma nave de escravos, que vão ter morte certa e ainda se gaba de não querer saber disso… (parece que afinal disse o que o Lobo fez e que é  bastante desprezível)

Já li alguns comics deste Forever Evil Month  e parece-me que esta revista é a que está melhor planeada e que tem mais perspetiva de futuro, nota-se claramente que a DC pretende voltar a pegar nesta personagem.

Do meu ponto de vista, esta é uma revista bem conseguida que pode ser lida por fãs de muitos anos desta personagem e por novos leitores que queiram conhecer melhor esta personagem. Deixo apenas o aviso: a história não acaba aqui.

Já me esquecia: aviso que na revista o Lobo não parece Gaysola (como alguns lhe chamaram).

E as capas deste mês da DC são FUNTABULASTICAS!!!!!!

Passei mês na expectativa de as ver em papel e a ler os americanos a dizer cobras e lagartos delas, os retalhistas a queixarem-se das alocações e trinta por uma linha. Agora que as tenho nas minhas mãos acho que as vou colocar todas numa parede… mas acho que não tenho espaço para isso…. Se calhar vou coloca-las na Long Box das preciosidades 🙂

 

Escrito por: Marguerite Bennett

Desenho de: Ben Oliver

Capa de:  Aaron Kuder

Nota: 7.5 em 10

 

@Nelson Vidal