Jogos: Crítica – The Bridge

The Bridge - Videogame Trago hoje mais uma crítica dum fantástico jogo indie: The Bridge. Um puzzle-game em 2D com um estilo muito peculiar e uma jogabilidade fácil, mas de difícil domínio.

Gráficos:
Aparentemente pintados à mão, os gráficos deste jogos são deslumbrantes.Apesar de na sua maior parte o jogo ser a preto e branco, nunca falha em maravilhar o jogador com lindos cenários e pequenos pormenores. Num estilo idêntico aos desenhos de M. C. Escher, os cenários rondam o surrealista, a ilusão de óptica, e o fantástico. O personagem em si tem traços simples mas no entanto as expressões e todos os movimentos estão bem feitos.

The Bridge - Videogame

Jogabilidade:
A jogabilidade é extremamente simples mas no entanto torna-se complexa com o passar dos níveis. A mecânica base consiste no movimento do personagem mas com o twist de se poder rodar o cenário. Conforme avançamos no jogo, são introduzidos novos elementos como uma bola que ao tocar no personagem o mata, um vortex que prende o que lá entrar, dimensão paralela e mais algumas coisas que acabam por dar um sabor mais completo a este jogo. As mecânicas assentam na física e na percepção do jogador, sendo que por vezes os elementos presentes num nível podem alterar as leis da física ou o comportamento natural dum objecto. O jogo tem também um sistema de rewind de forma a não castigar demasiado o jogador pelos erros que comete, sendo que alguns níveis poderão mesmo ter componentes de ‘’trial and error’’. O objectivo de cada puzzle é levar o protagonista desde a sua origem (o início do nível) até uma porta que pode ou não estar trancada, sendo que se estiver, temos de ir buscar a chave e voltar à porta.

The Bridge - Videogame

Longevidade:
A duração é média sendo que o jogo tem 48 níveis, 24 níveis para supostamente completar o jogo, sendo que depois somos apresentados com outros 24 que são basicamente versões bastante mais complexas dos primeiros, com um final alternativo/o verdadeiro final do jogo.

Audio:
Sendo que o jogo assenta no minimalismo em tudo, graficamente simples, movimentos simples, o audio entra nestes princípios também, sendo que os sons acabam por passar um pouco despercebidos.

The Bridge - Videogame

Historia:
Dada a componente surrealista do jogo, a história acaba por ser uma interpretação de cada jogador (um pouco ao estilo de Braid). Aparentemente somos um cientista/físico na busca de algo. Com referencias a Isac Newton e a teorias da física, sabemos que o protagonista está a tentar resolver uma questão que advém das suas pesquisas e que poderão ter a ver com o que se passa no mundo ao seu redor. Começando com um sono encostado a uma árvore, o personagem acorda com uma maçã que lhe cai na cabeça e assim começa a aventura. Dirigindo-se à sua casa, vamos entrando na divisão correspondente e completando os diferentes quartos que são os puzzles.
No fim de completar todos os níveis relativos a uma divisão somos presenciados com um busto que ao passar por ele, é apresentada no ecrã uma frase provavelmente proferida pelo protagonista. Estas frases vão ilustrando também a história e dando uma certa iluminação aos objectivos e preocupações do nosso personagem.

The Bridge - Videogame

Geral:
O jogo é bastante interessante, com mecânicas atractivas pela sua simplicidade mas que ainda assim consegue proporcionar dores de cabeça na resolução dos diversos desafios. Os cenários são lindos e dei por mim muitas vezes a analisá-los dada a sua beleza. O tom surrealista e enigmático da história poderá afastar alguns jogadores, mas por outro lado, as frases que nos são apresentadas ao longo de cada capítulo são interessantes e ajudam a manter a curiosidade viva por mais tempo. Além disto, após um aparente final, o jogador é apresentado com um novo desafio, um twist estranho nesta já muito esquisita história o que de si pode puxar-nos para mais uma série de puzzles.

Veredicto:
É um bom jogo de puzzles, mas o facto de ser um jogo um pouco estático, pode afastar os jogadores mais casuais… Para os amantes de quebra-cabeças, jogos alternativos e surrealistas, parece-me que este jogo é uma muito boa proposta.

Hugo Santos