Jogos: Crítica – Antichamber

AntichamberO jogo que vos falo hoje é o Antichamber. Jogo de puzzles na primeira pessoa, aborda uma sequência de salas com diferentes enigmas e puzzles para resolver de forma a ir avançando. Não existe uma história aparente, já que o jogo não tem cutscenes nem diálogo. A única narrativa (se é que lhe podemos realmente chamar assim) está presente numas imagens colocadas nas paredes das salas dos puzzles que nos dão pistas da resolução e ao que podemos esperar nas próximas.

Graficos: O jogo utiliza o motor Unreal Engine, e tem gráficos bastante bons, mas que acentam no minimalismo e surrealismo. As formas presentes no jogo são todas bastante ‘’geométricas’’, formas básicas que ilustram o essencial. Corredores e salas onde predomina o preto e branco, mas que por vezes nos presenciam com cores bastante vivas, e na maior parte das vezes, cores primárias. A sensação é sempre de relaxamento, mas que sobre a pressão dum puzzle, dum corredor que nunca mais acaba, pode criar uma certa claustrofobia e solidão. Eu diria que o jogo graficamente é muito único e apresenta algo novo à indústria.

AntichamberJogabilidade: ‘’Think outside the box’’ é a frase que define a jogabilidade. Desafia o jogador a explorar, a tentar coisas novas, a fazer algo que nunca faria noutro jogo. Avançar de costas, seguir em frente contra uma parede, saltar para um abismo, são tudo propostas válidas no Antichamber. Os movimentos neste jogo são todos muito básicos  saltar, mover-se, e andar lentamente, é tudo o que se precisa para percorrer este pequeno mundo. A juntar a isto temos ainda a ‘’Cube-Gun’’ (chamemos-lhe assim). E é com esta arma que passámos os puzzles. Com a capacidade de absorver cubos, disparar cubos e mais algumas derivadas que se vão obtendo à medida que se progride no jogo. É bastante simples e intuitivo de usar, mas com o passar do tempo, as soluções começam a exigir mais pensar do jogador e começam a tornar-se mais complexas. Nem tudo o que parece é, neste jogo. Se uma sala era um corredor quando lá entrámos, pode bastar dar uma volta para se transformar em algo diferente.

Durabilidade: O jogo dura entre 6 a 8 horas que foi o tempo que demorei a passá-lo. Claro que com salas secretas, com backtracking e assim, parece-me possível estender um pouco.

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Audio: Dado o estilo minimalista e muito solitário do jogo, o som é algo mínimo mas que ta sempre presente. Desde sons de água, a animais, árvores a abanar, vão ilustrando os corredores solitários. Estes aumentam a curiosidade do jogador e certamente melhoram o apetite à exploração.

Historia: Não existe qualquer história aparente. O jogo não tem um menu habitual. Somos alguma coisa, que começa num bloco, uma sala com 4 paredes, uma para as imagens e frases motivacionais que já encontrámos (que vão preenchendo a gigante parede), uma parede que serve de configuração do jogo onde está presente um contador decrescente, que por motivos óbvios não revelo o que acontece quando chega ao zero, uma parede com o mapa conforme o jogador desbloqueia os corredores e salas de puzzles. Todos os puzzles são acessíveis através desta sala, e podem ser seleccionados a qualquer momento, sendo resolvidos pela ordem que se queira, e um vidro que permite ver um corredor por onde se passa cerca de três quatro vezes ao longo do jogo, mas sempre com origem e destino para as três portas presentes. Afinal de contas, neste jogo nunca nada é igual.

AntichamberGeral: É um jogo brilhante, muito diferente do que nos é apresentado habitualmente, e que vale muito a pena jogar tanto pelo raciocínio exigido, como pela apresentação gráfica, ou mesmo porque em caso de se estar com uma ‘’traça’’ para um joguinho pequeno, este cumpre bem essa necessidade.
Se tiver que apontar defeitos negativos seria mesmo o constante backtracking necessário para resolver puzzles e muitas vezes a impossibilidade de resolve-los, não por incapacidade de raciocínio mas por faltar desbloquear uma arma com uma habilidade necessária. O problema é que esta falha não é óbvia para o jogador, sendo que a única hipótese é carregar ESC, escolher outro puzzle e seguir! E se o puzzle for o certo/o caminho certo, por vezes aparece uma seta muito misteriosa que aponta para onde o jogador deverá seguir.

Veredicto: Jogo fantástico que recomendo ser jogado por todos. Mesmo a quem não seja fã de puzzles, dê uma vista de olhos, afinal de contas a abordagem à temática de puzzles está muito diferente e muito interessante. JOGUEM!

Hugo Santos