BD: Crítica – A Minha Escolinha

a minha escolinhaChegou-me até às mãos um livro de banda desenhada portuguesa de um autor desconhecido (Pedro Correia) e de uma editora sem tradição nesta arte (Chiado Editora), e que julgo ser mesmo a primeira incursão pela arte sequencial de ambos.

A Minha Escolinha é um livro de pequeno tamanho (entre o formato comic e o formatinho), de leitura à italiana ou panorâmica e totalmente a cores; da autoria do jovem Pedro Correia. Narra a história de quatro amigos que têm como projecto fazer uma banda desenhada como forma de representar os conflitos no meio escolar. Mas quando toda a escola descobre, tudo se transforma e o caos apodera-se da vida deste grupo de jovens.

Eu pessoalmente revejo-me nesta BD, pois além de ser de Matosinhos como Pedro Correia, também eu fazia banda desenhada caótica e non-sense, com colegas de turma, quando era adolescente. É engraçado ver espelhado aqui, alguns truques que eu aplicava nas minhas histórias, com referências àquilo que via ou lia. Dando um exemplo: no meu caso, filmes de terror como Sexta-Feira 13 ou Pesadelo em Elm Street, etc., e no caso do Pedro, Dragon Ball ou Samurai X, etc.
Tanto nas minhas histórias como nesta, a BD confunde-se com um programa de televisão, onde as personagens dão entrevistas viradas para o “ câmara”, ou antes, para o leitor; e também o uso de spots publicitários a meio da história. Tudo isto sempre de uma forma muito descontraída e divertida.

Sobre o estilo, nota-se claramente influencia de Manga, mas de propósito ou não, mais ou menos claras, a influencia de Tiras Cómicas (muitas partes a fazer lembrar Dilbert) e ainda de animação como Family Guy.

a minha escolinhaE agora os problemas. Nota-se que Pedro Correia é ainda muito verde na arte sequencial. Tem dificuldades em ligar os temas, ou em usar o bom “timing” para mudar cada sequência. Se o formato panorâmico permite a formação de tiras, poderia ter tirado a vantagem disso para usar o guião de forma a “encaixar” melhor as piadas em blocos de argumento.
Na arte nota-se também muitas limitações. Além disso, há vinhetas cujo traço parece meio baço ou “embaciado”. Nota-se ainda uma progressão na qualidade à medida que vamos avançando na história, não só no desenho como também na colorização.
No entanto, Pedro Correia consegue por vezes fazer ângulos e abordagens à cena bastante interessantes.
A balonagem e legendagem, um dos maiores calcanhares de Aquiles da BD nacional, é mais uma vez o pior deste livro. É impossível dizer algo de positivo nesta área, o que é lamentável, pois por arte menor que seja, balonagens destas acabam sempre por prejudicar substancialmente a obra final.

Resumindo. A Minha Escolinha é, apesar das suas fraquezas, um esforço notável de um autor ainda inexperiente, que consegue um álbum capaz de agradar as gerações mais novas e menos exigentes.
O Melhor: A diversão dada pelo autor que transpira em cada página. O Pior: A balonagem e legendagem.

6.5/10

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Hugo Jesus